Dossier

ANGRA: A derradeira fronteira do Atlântico

Agência Ecclesia
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A ilha é a ideia mais próxima de paraíso. E, quando a saudade aperta o mar encolhe e todas as ilhas se fazem terra para um coração faminto. Nestas paragens habita o mais nobre império do Amor: “onde o coração do mar se povoa de sonhos e os homens se agigantam de ternura”. Ilhas de azul profundo, intenso, nascidas da imensidão atlântica, que ligam dois continentes e resultam de um casamento quase perfeito entre o oceano indomável e homens que, dum pedaço de terra, fizeram casa.

É difícil eleger um lugar nos Açores. Mas, de repente “um céu azul de intenso anil com fulvos tons de poente” ergue-se no pensamento e paro nas Flores. Chegar nem sempre é fácil porque aqui o tempo é caprichoso. Dizem que é a única ilha que não treme. A ocidente, onde começa e acaba a Europa, vive-se rodeado de água e natureza exuberante. A ilha desafia-nos no tempo e nas emoções, pondo à prova a nossa resistência, sobretudo dos que não se deixaram seduzir por “Califórnias perdidas de abundância”.

Nas Flores, tudo está em estado puro: verde exuberante, lagoas que se espraiam com doçura, por trilhos pedestres que convidam a um passeio; quedas de água que serpenteiam a encosta; altas escarpas bordejando a costa; aves raras e vegetação endémica.

Próxima paragem: São Jorge e Pico. De uma ilha à outra há 15 quilómetros de mar que poderiam ser estrada. Nestas duas ilhas combina-se a natureza com a religião. As festas do Bom Jesus do Pico ou as do Santo Cristo da Caldeira, dois santuários diocesanos, são imperdíveis, em agosto.

São Jorge, parece um enorme dragão, de cor esverdeada, que se impõe com altivez. A ilha recorta-se por Fajãs e é na do Santo Cristo que está um dos cinco santuários diocesanos que anualmente celebra a sua festa no primeiro domingo de setembro. No pitoresco lugar das Manadas ergue-se um mimo, a igreja de Santa Bárbara, construída no século XVIII e declarada monumento nacional em 1950.

Olhamos em frente e descobrimos “a Montanha nuvem”. Aqui tudo é excesso, grande, natural e destemido. A montanha- sempre ela- eleva-se nos céus, exigindo uma atenção natural. Aos pés erguem-se marouços e mistérios de lava que abrigam a paisagem protegida da vinha, património da humanidade. Tal como o santuário do Senhor Bom Jesus, património guardado no coração dos fieis, repositório de lágrimas de saudade e mágoas de desespero, onde se busca um sentido para o tempo presente.

Na sua `sozinhês´ estas ilhas são o paraíso na Terra.

Carmo Rodeia

Fotos: José Antonio Rodrigues
Ricardo Henriques



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