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II Concílio do Vaticano: Bento XVI foi um perito conciliar

Luís Filipe Santos
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Ao memorar o início do II Concílio do Vaticano, Bento XVI disse, em Castel Gandolfo, na memória do bispo Santo Eusébio de Vercelas, 2 de Agosto de 2012, que "foi um dia maravilhoso aquele 11 de Outubro de 1962 quando, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II".

O Papa Bento XVI que resignou, a 11 de fevereiro de 2013, foi um dos peritos do II Concílio do Vaticano, iniciado em outubro de 1962. Na audiência geral de 10 de outubro de 2012, Bento XVI recordou esses momentos: “eu era um jovem professor de teologia fundamental na Universidade de Bonn, e foi o arcebispo de Colónia, cardeal Frings, para mim um ponto de referência humano e sacerdotal, que me trouxe consigo a Roma como seu teólogo consultor; depois, fui também nomeado perito conciliar”.

Ao memorar o início do II Concílio do Vaticano, Bento XVI disse, em Castel Gandolfo, na memória do bispo Santo Eusébio de Vercelas, 2 de Agosto de 2012, que “foi um dia maravilhoso aquele 11 de Outubro de 1962 quando, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II”.

“Raras vezes na história foi possível como então, quase «tocar» concretamente a universalidade da Igreja num momento da grande realização da missão de levar o Evangelho a todos os tempos e até aos confins da terra”, disse o Papa na audiência de 10 de outubro de 2012.

Cada um dos episcopados aproximou-se do grande acontecimento eclesial “com ideias diferentes”. Alguns chegaram com uma atitude “mais de expectativa em relação ao programa que devia ser desenvolvido”, mas “foi o episcopado do centro da Europa – Bélgica, França e Alemanha – que se mostrou mais decidido nas ideias”, afirmou Bento XVI.

Entre os franceses, foi sobressaindo cada vez mais o tema da relação entre a Igreja e o mundo moderno, isto é, o trabalho sobre o chamado «Esquema XIII», do qual nasceu depois a Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo. “Atingia-se aqui o ponto da verdadeira expectativa suscitada pelo Concílio”, lembrou o Papa.

“As coisas deviam continuar assim? Não podia a Igreja cumprir um passo positivo nos tempos novos?” questiona Bento XVI e responde de seguida: “por detrás da vaga expressão «mundo de hoje», encontra-se a questão da relação com a era moderna; para a esclarecer, teria sido necessário definir melhor o que era essencial e constitutivo da era moderna”.

 “Inesperadamente”, o encontro com os grandes temas da era moderna não se dá na Constituição pastoral, mas “em dois documentos menores, cuja importância só pouco a pouco se foi manifestando com a receção do Concílio”, referiu Bento XVI. E nomeia os dois documentos: Declaração sobre a liberdade religiosa e a declaração Nostra aetate.

No cardeal Frings, Bento XVI considera que teve “um «pai» que viveu de modo exemplar este espírito do Concílio”. “Era um homem de significativa abertura e grandeza, mas sabia também que só a fé guia para se fazer ao largo, para aquele horizonte amplo que resta impedido ao espírito positivista”, concluiu.

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