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Braga: Arcebispo defende recusa de «qualquer ideologia que pretenda o aniquilamento dos valores ou da fé»

Agência Ecclesia
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Foto: Diário do Minho
Foto: Diário do Minho

D. Jorge Ortiga inaugurou sessão de debate dedicada ao multiculturalismo

Braga, 18 mar 2017 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga defendeu esta sexta-feira a recusa de “qualquer ideologia” que pretenda o “aniquilamento dos valores ou da fé”, apelando à coragem nas convicções que dizem respeito a “questões vitais”.

“A pluralidade exige a coragem de assumir e defender convicções profundas sem que correntes minoritárias, por vezes contrárias, nos desviem de opções vitais”, de

A minha personalidade é moldada, em certa medida, por aquilo que me rodeia e pelas pessoas que me cruzo. Mas, parece-me justo, contudo, defender a recusa de qualquer ideologia que pretenda o aniquilamento dos valores ou da fé”, disse D. Jorge, na abertura de uma sessão dedicada ao “multiculturalismo”, no ciclo de conferências ‘Nova Ágora’ que decorre na cidade minhota.

O também presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana lembrou que o multiculturalismo é “um caminho de aprendizagem”.

“Há novas interrogações às quais não podemos fugir. Na verdade, nem queremos fugir. A Igreja ganha vida quando perde o medo de mergulhar nos debates culturais”, acrescentou, numa intervenção citada pela Rádio Renascença.

D. Jorge Ortiga apelou a processos de diálogo que coloquem de lado fundamentalismos e que promovam o respeito entre todos.

O evento contou com a participação de Ângelo Correia, antigo ministro da Administração Interna; Francisco Seixas da Costa, que desempenhou entre outras a função de secretário de Estado dos Assuntos Europeus e de embaixador junto da Organização das Nações Unidas; e João Cardoso Rosas, professor da Universidade do Minho e atual presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia.

O projeto ‘Nova Ágora’ foi lançado pela Arquidiocese de Braga em 2015, com o objetivo de “suscitar” uma “reflexão abrangente e participativa”, diante da “abstração coletiva e apatia sufocante” que marcam a atualidade.

Há dois anos a organização propôs uma abordagem às áreas da Economia, da Cultura e da Política, e em 2016 refletiu sobre os setores do Trabalho, da Educação e da Arte.

Por esta ‘mesa de debate’ já passaram figuras como o atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o selecionador campeão europeu de futebol, Fernando Santos, e o já falecido neurocirurgião e ‘Prémio Pessoa’ João Lobo Antunes.

O ciclo de conferências deste ano começou no dia 17 de fevereiro com uma intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa intitulada ‘Os católicos e a democracia: um testemunho’.

As atividades prosseguem nos dias 24 e 31 de março, sempre no Auditório Vita, com reflexões sobre a saúde e qualidade de vida e a era digital, respetivamente.

JCP/OC



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