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Espiritanos: Congregação celebra 150 anos em Portugal com mensagem de resistência e futuro

Agência Ecclesia
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Na abertura do jubileu dos 150 anos, em Barcelos, foi plantada uma árvore, a 'gingko biloba, de origem japonesa, símbolo de longevidade e de paz
Na abertura do jubileu dos 150 anos, em Barcelos, foi plantada uma árvore, a 'gingko biloba, de origem japonesa, símbolo de longevidade e de paz

«Nada nos irá demover de continuarmos a nossa missão», realça o superior provincial da congregação

Lisboa, 09 set 2016 (Ecclesia) – A Congregação do Espírito Santo assinala 150 anos de presença em Portugal, uma ocasião para adequar projetos à realidade atual e encarar de frente os desafios que hoje se levantam.

Em entrevista esta sexta-feira à Agência ECCLESIA, o Superior Provincial dos Espiritanos, padre António Neves, destacou uma congregação pronta a “resistir a todos os ventos e marés” e que “não se irá deixar deitar abaixo” pelas dificuldades deste tempo.

“Ou por que somos poucos, ou porque há uma onda muito anticlerical na Europa e no mundo, ou porque outras religiões procuram limpar-nos do mapa em algumas áreas geográficas, nada disso nos irá demover de continuarmos a nossa missão”, frisou o sacerdote.

Fundada em 1703 por Cláudio Poullart des Places, a Congregação do Espírito Santo está atualmente presente em 65 países, tendo como carisma a evangelização e o anúncio de Cristo aos povos, bem como a fomentação da missão e do voluntariado, no apoio aos mais necessitados.

Chegou a Portugal em 1867, contando atualmente com cerca de 120 elementos espalhados por 11 comunidades do país.

Segundo o padre António Neves, além de ser um momento de “fazer uma memória muito grata do passado”, o jubileu dos 150 anos em Portugal abre também um longo caminho de reflexão até ao próximo Capítulo Geral da congregação, em 2018, sobre o futuro da missão espiritana.

Numa análise ao quadro atual, o Superior Provincial destacou o período da crise económica em Portugal, que levou a congregação a ter uma maior atenção à missão no país, concretamente junto das “periferias e margens de que o Papa Francisco tanto fala”.

Sobre o contexto lá fora, aquele responsável lembrou as situações de guerra, de violência, de intolerância e discriminação religiosa, que os missionários espiritanos e todos os cristãos cada vez mais enfrentam em países como o Sudão, a Nigéria, a Etiópia, o Paquistão, a Índia, Mauritânia e a Argélia.

“Áreas onde é complicado ser-se missionário pelo desafio cultural, e sobretudo porque em alguns desses espaços a liberdade religiosa é muito residual”, explicou o padre António Neves, salientando que nestes contextos o trabalho missionário é essencialmente feito através “da educação e do apoio solidário” às populações.

“Quando nós conseguimos viver as obras de misericórdia, mesmo que não nos deixem viver as espirituais mas só as corporais, isso permite-nos interagir com as pessoas e ter uma porta aberta para falar de Deus e do projeto humanitário cristão”, indicou.

 Sobre a falta de vocações, o padre António Neves acredita que ela deve incentivar a um maior “testemunho” por parte dos sacerdotes e missionários espiritanos, sobretudo junto dos jovens, mas também pode ser entendida como um chamamento à reconfiguração pastoral da congregação.

“Se calhar há muita coisa que achamos que temos de ser nós padres a fazer e que é claramente missão laical que nós não estamos a permitir que seja como Deus quer”, admitiu.

Outra questão, que está ligada a esta, é a importância de olhar para a espaços e estruturas da congregação que hoje podem e devem ter outra utilização, mais adequada às necessidades.

“Por exemplo, não existem hoje 700 jovens nos nossos seminários como há 30 anos atrás, e o redimensionamento passa também por isto, tentar dar outra finalidade a casarões enormes que hoje não faz mais sentido que se chamem seminários porque de facto não o são”, sustentou.

Uma das finalidades que as estruturas da congregação já estão a ter é para o acolhimento a refugiados.

Atualmente, os Espiritanos estão a acompanhar uma família síria em Braga e esperam brevemente acolher pelo menos mais uma, para “continuar a dar corpo a um projeto profundamente humanitário”.

“Nós gratuitamente cedemos o espaço, pagamos a água, a eletricidade, o gás, e com uma associação local garantimos que as crianças sejam acompanhadas, que as aulas de português sejam dadas, que a alimentação seja assegurada, assim como a questão jurídica, e as coisas estão a correr bem”, contou o padre António Neves.

JCP



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