Nacional

Igreja: Português vai acompanhar canonização de Madre Teresa para agradecer à santa que o salvou

Agência Ecclesia
...
Pedro Castro (esquerda), junto ao padre Brian Kolodiejchuk (centro)
Pedro Castro (esquerda), junto ao padre Brian Kolodiejchuk (centro)

Pedro Castro fala da «intervenção» da religiosa no processo que o levou à cura da Hepatite C

Lisboa, 03 set 2016 (Ecclesia) - O português Pedro Castro vai acompanhar este domingo a cerimónia de canonização de Madre Teresa de Calcutá, no Vaticano, com uma intenção especial, agradecer a “intervenção” da nova santa no processo que o levou à cura da Hepatite C.

Em declarações à ECCLESIA, Pedro Castro recorda o momento em que a futura santa entrou na sua vida, através do padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa de canonização da ‘mãe dos pobres’.

“Eu conheci-o por acaso no Algarve numa altura em que estava doente, com uma doença gravíssima, com uma hepatite C, que estava num estágio já avançadíssimo de deterioração do fígado. E os médicos tinham-me dito que eu precisava absolutamente de tomar um medicamento muito caro, que tinha acabado de sair”, relata, numa entrevista que vai integrar a próxima edição do programa ‘70x7’, este domingo, na RTP2.

O caso remonta a 2015, quando surgiu um medicamento que tinha 97 por cento de eficácia na cura da hepatite C - mas ainda não comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde, pelo que o tratamento custava na altura cerca de 46 mil euros.

“A única hipótese era vender a minha casa”, frisa Pedro Castro, cuja história ganhou um novo rumo após o encontro com o padre Brian.

O sacerdote incentivou-o a esperar e a ter confiança na Madre Teresa, entrou em contacto com Calcutá e a sua intenção foi colocada junto da campa da religiosa, onde todos os dias é celebrada Missa por essas intenções.

“A seguir, o que aconteceu foi um conjunto de acontecimentos enormes que levou a que Portugal fosse o país do mundo que mais depressa passou a custear esse tratamento para a Hepatite C”, conta Pedro Castro, que desde então passou a olhar para a vida com uma perspetiva diferente.

O católico português diz não ter dúvidas de que houve “uma intervenção da Madre Teresa” para ajudar a resolver a situação.

“A certa altura, aquilo que eu senti, e isso foi muito bonito, foi que não era uma história minha que se estava ali a viver, porque eu tinha uma casa para vender. Com certeza que era chato, mas podia ter a minha vida assegurada, a minha cura assegurada. Mas havia 90 e não sei quantas mil pessoas em Portugal que não tinham e todos os dias morriam pessoas”, recorda.

Este evento levou Pedro Castro a conhecer mais a fundo a história de Madre Teresa, que considera uma mulher “extraordinária” e “um presente que ganhou na sua vida”.

“Faz-me lembrar a toda a hora de que o importante não sou eu e que existe um Deus que é bom e que a nossa vida foi feita para os outros (…). Ela só se preocupava com os outros, não tinha tempo sequer para ser feliz, na cabeça dela esse não era o problema, o caminho dela”, realça.

A canonização de Madre Teresa de Calcutá está marcada para este domingo, na Praça de São Pedro, a partir das 10h30 (menos uma em Lisboa).

A futura santa, vencedora do prémio Nobel da Paz, faleceu em 1997 e foi beatificada por João Paulo II em 2003.

Para Pedro Castro, a cerimónia será “uma festa” e “um dia de céu, em que vai ser reconhecida a beleza, a grandeza e a nobreza de uma mulher como a Madre Teresa”.

“Estou muito contente, vou com a minha mulher, estou felicíssimo, não posso estar mais feliz, sei que vêm pessoas do mundo inteiro que são devotos da Madre Teresa e que querem estar e viver este dia com alegria”, conclui.

A canonização, ato reservado ao Papa desde o século XIII, é a confirmação, por parte da Igreja Católica, que um fiel católico é digno de culto público universal (os beatos têm culto local) e de ser apresentado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade.

HM/JCP



Madre Teresa