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Igreja: Primeiros capelães militares foram homenageados em Lisboa

Agência Ecclesia
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Foto: Agência ECCLESIA/HM
Foto: Agência ECCLESIA/HM

Ordinariato Castrense celebra 50 anos de assistência espiritual nas Forças Armadas

Lisboa, 23 out 2017 (Ecclesia) - A Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança celebrou hoje o cinquentenário da assistência religiosa organizada no meio militar em Portugal e convidou os primeiros capelães católicos, que concluíram o curso em 1967, a marcarem presença.

“É com muita saudade e certa nostalgia que estou aqui. Apreciando a formação militar, porque as nossas forças armadas ainda são um pouco da reserva moral deste país. As forças armadas são uma grande instituição”, disse o padre Delmar Barreiros à Agência ECCLESIA.

O sacerdote do Patriarcado de Lisboa integrou o 1.º curso de capelães militares que há 50 anos assentavam praça para levar a assistência espiritual aos vários ramos – terra, ar e mar - das Forças Armadas.

“Com disciplina, marchando, caminhando e isso fez-me muito bem. Passando 50 anos de andar aqui a marchar recordo com muita saudade”, acrescenta, recordando que antes os capelães “eram pedidos às dioceses”.

A formação decorreu na Academia Militar em Lisboa, entre 21 de agosto e 17 de setembro de 1967, com 58 sacerdotes com o posto de Aspirante a Oficial: 50 foram destinados para o Exército, 4 para a Força Aérea e 4 para a Marinha.

O padre Delmar Barreiros foi o primeiro “e único” capelão da Marinha em Moçambique onde esteve dois anos e meio, e passou por “todas as unidades” onde Portugal esteve presente “através da Briosa, da Armada Portuguesa, e do navio Escola Sagres.

O sacerdote recorda ainda que na Guiné colaborou “muito no aspeto civil” com o general António de Spínola (1910-1996) que na altura era comandante chefe das Forças Armadas da Guiné e também governador.

Neste contexto, lembra que participou ativamente na construção dos pavilhões que deram origem ao que hoje é o Hospital de Cumura para assistência aos leprosos que “eram assistidos nas tabancas” sem condições e “era uma dor de alma”.

O bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança que presidiu à celebração de homenagem disse que ao longo destes 50 anos procuram “acompanhar as pessoas na realidade que viviam”.

“Primeiro na Guerra Colonial, depois naqueles tempos belos, sem dúvida, mas conturbados do 25 de abril e agora com a restauração da democracia, com a plenitude da paz, pelo menos aqui no nosso meio”, exemplificou.

D. Manuel Linda refere que a Igreja Católica procura estar no meio militar e das forças de segurança “como pessoas creditadas para as ajudar” e caminhar na “via da salvação”.

Segundo o bispo que acompanha o Ordinariato Castrense para ser bom capelão militar é preciso ser um homem presente “no sentido da empatia, saber conviver, estar com os seus homens e mulheres, jogar com eles, futebol ou outros desportos, saber estabelecer diálogo”.

Para D. Manuel Linda assim o coração dos homens e das mulheres que servem as forças armadas e de segurança “derrete” e quando isso acontece “abre a uma dimensão superior” que é aquela que representam.

A capelania é espaço de “primeiro anúncio, de contacto com a fé” e o prelado revela que “estava longe de imaginar” que iria administrar tantos sacramentos de iniciação cristã como “está a acontecer”.

Neste sentido, conta que os capelães “nunca são” suficientes e dá como exemplo que o capelão da Brigada de Coimbra é o mesmo do Regimento de Infantaria de Viseu ou o da Ota que “serve também Alverca e a base aérea de Monte Real.

HM/CB



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