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Igreja: «Vinha de Raquel» apoia quem sofre após um aborto

Agência Ecclesia
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Responsável destaca necessidade de «cura espiritual»

Lisboa, 10 dez 2013 (Ecclesia) – Maria José Vilaça, psicóloga e responsável pelo projeto ‘Vinha de Raquel’, apresentou à Agência ECCLESIA o caminho de reconciliação que este projeto na Igreja Católica propõe às mulheres que passaram pela situação do aborto.

“As mulheres para além do trauma quando se confessam procuram encontrar a cura espiritual que muitas vezes não chega e, depois, levam anos e anos a confessarem-se da mesma coisa a vários padres. Às vezes torna-se uma obsessão. Por detrás disto existe o trauma que não foi tratado psicologicamente”, revela a responsável.

Maria José Vilaça assinala que esta situação “não é bloqueadora” para as mulheres que as procuram com o objetivo de pertencerem à Igreja: “Pode ser uma oportunidade de encontro com Cristo; é isso que nós pretendemos e que de facto que tem acontecido”.

“O aborto é um trauma porque é uma situação limite de ameaça, não propriamente à vida da mulher mas a características dela que são muito ligadas ao ser, à essência, à maternidade, à identidade e à própria vivência da sexualidade”, refere.

[[a,d,4336,Emissão 09-12-2013]]Quando são procuradas as candidatas ao retiro são “longamente” entrevistadas e a Vinha de Raquel pretende “fazer acompanhamento psicológico antes ou depois, conforme a situação”, explica a psicóloga.

O mais comum a todas as pessoas é “uma grande intranquilidade, uma sensação tremenda de algo que foi feito e não há como desfazer”, destaca Maria José Vilaça que explica que para além da culpa, quem as procura leva também “um luto que não foi feito a partir do momento que começam a perceber o que está em causa”.

“Como qualquer mãe ou pai quando perde um filho há um luto para fazer e há um luto que a sociedade não permite porque diz-lhe: ‘Livraste-te do problema porque é que estás com coisas'”, acrescenta.

Nesse sentido, a Vinha de Raquel procura, durante o retiro, ajudar as mulheres a superar e a "resolver “agressividades e zangas” que não estão "à flor da pele, nem sequer estão conscientes”.

“O retiro é quase como um trabalho de grupo, de família com o máximo de 12 participantes. Nesse sentido pode-se criar um ambiente de intimidade em que é facilitada a partilha das histórias de cada um e no fim as pessoas são todas amigas, não só porque tinham uma história em comum mas porque tiveram dias muito intensos”, clarifica a responsável.

Depois do retiro as mulheres são encaminhadas para as suas paróquias ou para movimentos que as possam acolher “no crescimento e amadurecimento desta amizade com Cristo”, para que não fiquem presas a esta instituição de passagem, desenvolve Maria José Vilaça.

Para a entrevistada, o projeto Vinha de Raquel define bem o que é o trabalho da Igreja porque revela Cristo através “da compaixão, da misericórdia e da companhia” que é a “revelação mais bonita”.

A Vinha de Raquel é uma obra que surgiu nos Estados Unidos da América fundada pela psicóloga Theresa Burke ao perceber que "o aborto é traumático na vida de uma mulher", podendo "não só desencadear uma doença como aliás favorecer o aparecimento ou o agravamento de qualquer outra coisa já existente”, explica a responsável em Portugal.

Com vista à preparação do Sínodo dos Bispos o programa de rádio ECCLESIA, durante esta semana, revela algumas respostas que as Igrejas locais prestam à família e a algumas situações de fronteira, na Antena 1 às 22h45.

LS/CB/OC



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