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Óbito/Porto: Diocese despede-se de um bispo «sábio e bondoso» - Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

Agência Ecclesia
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Foto Diocese do Porto
Foto Diocese do Porto

D. Manuel Clemente presidiu à Missa exequial e afirmou que ser bispo é um trabalho «quase inabarcável»

Porto, 13 set 2017 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou hoje, na homilia da Missa exequial de D. António Francisco dos Santos, que a Diocese do Porto se despede de um bispo “capacíssimo”, “sábio e bondoso”, “próximo e amigos de todos”.

“Não lhe faltaram dificuldades, mas nenhuma lhe endureceu o espírito nem o trato. Sábio e bondoso, assim permaneceu e assim fica, como memória e como estímulo”, disse D. Manuel Clemente, antecessor de D. António Francisco dos Santos como bispo do Porto.

“Lembro-me de quando veio falar comigo, hesitante em aceitar o cargo. Estava feliz e realizado em Aveiro, muito feliz e muito realizado, e tinha receio de não ser capaz. Foi capaz, capacíssimo e precisamente no essencial de ser um pastor próximo e amigo de todos”, sublinhou o presidente da CEP.

D. Manuel Clemente expressou “admiração pela grande figura eclesial e social” do bispo falecido na última segunda-feira, que “viveu e verdadeiramente conviveu” com todos, “pois grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e para os outros”.

Na homilia da Missa exequial, na Sé do Porto, D. Manuel Clemente disse que “ser bispo, nas atuais circunstâncias, é um trabalho complexo e quase inabarcável para quem o exerce”, “não se está a cima de nada e ninguém”, antes no “centro de tudo ou quase tudo no que à Igreja se refere e mesmo além da vida da Igreja”.

“A pressão é grande, inclusive a mediática, e a estruturas intermédias quase se desfazem, pois sempre se espera que quem está no centro responda imediatamente seja o que for, por mais inesperado ou casual que possa ser”, acrescentou.

O presidente da CEP afirmou também que “tratando-se de acompanhar e conjugar a vida eclesial, a avaliação e decisão requerem especial cuidado, uma vez que em causa estão pessoas “realidades anímicas”.

D. António Francisco dos Santos foi um grande pastor da Igreja, no sentido plenamente cristão de quem dá a vida pelas ovelhas. Assim a deu generosamente, quase sem descanso”, afirmou.

“Fisicamente o coração pode parar. Espiritualmente, isto é realmente, continua connosco no coração de Deus. No coração de Cristo, o nosso bom Pastor”, disse D. Manuel Clemente.

“Muito obrigado, caríssimo irmão e amigo”, concluiu o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

D. António Francisco dos Santos, natural de Tendais, no Concelho de Cinfães (Diocese de Lamego), faleceu no dia 11 de setembro com 69 anos, no Paço Episcopal do Porto, vítima de enfarte agudo do miocárdio.

Ordenado padre em dezembro de 1972, João Paulo II nomeou-o auxiliar de Braga, a 21 de dezembro de 2004, tendo sido ordenado bispo em março de 2005, na Sé de Lamego; Bento XVI escolheu-o como bispo da Diocese de Aveiro, em setembro de 2006 e tomou posse a 8 de dezembro do mesmo ano.

D. António Francisco dos Santos foi nomeado bispo do Porto em fevereiro de 2014, sucedendo a D. Manuel Clemente, e tomou posse a 5 de abril do mesmo ano.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, ocupava o cargo de presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e de vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.

PR



Diocese do Porto D. António Francisco dos Santos (1948-2017)