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Portugal: Novo presidente da República quer ser «garante» da liberdade religiosa

Agência Ecclesia
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Marcelo Rebelo de Sousa participou em celebração inter-religiosa na mesquita de Lisboa e recordou «espírito ecuménico» português

Lisboa, 09 mar 2016 (Ecclesia) - O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que pretende ser um “garante” da liberdade religiosa e elogiou o “espírito ecuménico” do país.

“Este encontro quer significar que o presidente da República de Portugal, como garante da Constituição que jurou defender, cumprir e fazer cumprir, será sempre garante da liberdade religiosa, em todas as suas virtualidades”, declarou, durante um encontro inter-religioso que decorreu na mesquita central de Lisboa.

A iniciativa, inserida no programa de cerimónias de tomada de posse presidencial, contou com a presença de representantes de confissões religiosas e associações cívicas.

A chegada de Marcelo Rebelo de Sousa ao local aconteceu pelas 16h45, sendo acolhido pelo imã da mesquita e pelo cardeal-patriarca de Lisboa.

O presidente assumiu o “apoio e o empenho” pessoal que colocou nesta iniciativa, antes de afirmar que “Portugal deve muita da sua grandeza secular ao seu espírito ecuménico”

Nesse sentido, sustentou que o país “foi grande sempre que soube cultivar esse espírito, dentro e fora das suas fronteiras físicas” e “ficou aquém do seu desígnio sempre que sacrificou a riqueza da convergência de culturas, civilizações e, naturalmente, de religiões”.

Rebelo de Sousa recordou que a Constituição Portuguesa consagra a liberdade religiosa, “que supõe a liberdade de não crer, mas que para os crentes vai além da mera liberdade de culto”.

Essa mesma liberdade implica o respeito de cada confissão, “na sua visão do mundo e da vida, expressa no espaço privado como no espaço público”.

O presidente português deixou um apelo para que o espírito ecuménico manifestado neste encontro “possa servir de exemplo para todos os domínios da vida nacional”, convidando “à aceitação do outro, ao diálogo, ao entendimento, à compreensão recíproca”.

“Sem negar as diferenças de princípios ou de vivências. Mas procurando ver para além delas, com humildade e solidariedade”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou votos de que os próximos cinco anos sejam vividos “sob o signo da paz, justiça e fraternidade”.

“Que o vosso exemplo frutifique, na cultura, na educação, no apoio social, na saúde, no mundo laboral e empresarial, na vida local, na política”, desejou.

À entrada, o presidente português foi saudado por um grupo de crianças das diversas comunidades religiosas e recebeu delas um colar de flores.

No interior da mesquita estavam 17 representantes das confissões religiosas, que procederam a uma oração pela paz; na plateia, entre os convidados, marcou presença o núncio apostólico (embaixador da Santa Sé), D. Rino Passigato.

Frei Vítor Melícias, superior da Província Portuguesa dos Franciscanos, interveio em nome da Igreja Católica e rezou para que Deus “guie todos pelo bom caminho” e ajude a “edificar um mundo em que estejam todos irmanados” no mesmo Criador.

OC



Igreja/Política Diálogo inter-religioso