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Viseu: Casa Memorial Madre Rita é um centro de interpretação da vida e obra da beata

Agência Ecclesia
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Espaço procura «dar dignidade» ao local onde nasceu a religiosa

Viseu, 19 ago 2014 (Ecclesia) – A vida, obra e espiritualidade da beata viseense, Madre Rita Amada de Jesus (1848-1913), fundadora do Instituto Jesus Maria José estão presentes num museu/centro de interpretação inaugurado na sua terra natal, em Casalmendinho, Ribafeita.

“Mais do que um museu é mais um centro de interpretação da vida e obra da Beata Rita Amada de Jesus e pretendeu-se dar dignidade ao local onde nasceu, viveu parte da vida e que fica próximo do local onde acabou por morrer”, explica Fátima Eusébio, coordenadora do setor dos Bens Culturais da Diocese de Viseu e responsável pelos conteúdos deste centro.

A Casa Memorial Rita Amada de Jesus, no lugar de Casalmendinho, em Ribafeita, surgiu no espaço onde existiu a casa da beata da Diocese de Viseu, “um espaço diminuto em relação ao atual edifício e do qual só existiam as ruinas”, acrescentou à Agência ECCLESIA.

Na construção foi respeitada a arquitetura que se enquadrasse no meio rural com modernidade presente, por exemplo, na forma como foi “desenvolvido o programa expositivo que reflete a vida da Madre Rita”, que viveu entre 1848 e 1913, “onde o contexto social da mulher era relegado para um registo de pouca intervenção, essencialmente na família”.

Na entrada da Casa Memorial estão presentes canas de bambu, “um material muito resistente e difícil de partir, que reflete muito bem a vida da Madre Rita”, considera Fátima Eusébio.

No primeiro andar os visitantes encontram uma cronologia da vida da beata viseense, que começa no registo de batismo, a 13 de março de 1848, em Casalmendinho, até à beatificação a 28 de maio de 2006, em Viseu.

Depois, apresentam livros, documentos, como a reprodução da autobiografia de 37 páginas, cartas, relíquias e objetos que fizeram parte da vida da Madre Rita Amada de Jesus.

Os visitantes podem também ver o terço da mulher que foi curada por interceção da beata, a uma doença mortal do intestino, e que a Santa Sé reconheceu como milagre.

A irmã Margarida Bento, provincial do Instituto Jesus Maria José em Portugal, revela que a Beata Rita Amada de Jesus escolheu o nome de Pia União para o instituto devido ao ambiente anti clericalista da primeira república que também originou o envio do primeiro grupo de seis irmãs para o Brasil, para a Diocese de Ribeirão Preto, em 1912.

A beata faleceu a 7 de janeiro 1913 depois de ter enviado um segundo grupo de irmãs e a partir desse envio o instituto “prosperou e aumentaram as vocações”.

Em 1934 regressaram a Portugal e atualmente encontram-se em vários países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, (África), Brasil, Bolívia, Paraguai, Perú (América Latina) e são 134 irmãs.

“Para além da evangelização, conversão e adesão aos valores humanos, as irmãs desenvolvem a sua obra social em escolas e colégios, onde tentamos passar o carisma da Beata Rita ajudando as crianças no seu desenvolvimento integral e apoiando as famílias”, revelou a irmã Margarida Bento.

Para Paolo Vilotta, postulador italiano da causa de canonização da Beata Madre Rita, “atualmente são muitas as graças alcançadas” e existem relatos de “vários casos”, embora não esteja em estudo nenhum possível milagre.

O postulador sugere que se faça uma “peregrinação/romaria a Casalmendinho todos os anos”, aos lugares da Madre Rita, para que todos a conheçam por três motivos: “O seu carisma e exemplo de vida, pelo contexto histórico, cultural e religioso em que viveu e pela obra social que o Instituto desenvolve”.

CB



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