Vaticano

Cardeal vai ao Paquistão para salvar Asia Bibi

Agência Ecclesia
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Presidente do Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso encontra-se com autoridades locais

O presidente do Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso, cardeal Jean-Louis Tauran, chegou esta Quinta-feira ao Paquistão, para sensibilizar o governo local sobre o caso de Asia Bibi e pedir a revogação da lei sobre a blasfémia.

O anúncio da missão do Vaticano no Paquistão tinha sido feito há dois dias, pelo Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, o qual renovou o seu apelo pela libertação de Asia Bibi, cristã de 45 anos acusada de blasfémia e condenada à morte.

O cardeal Jean-Louis Tauran, vai reunir-se com o ministro para as minorias, Shahbaz Bhatti, e o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari.

Shahbaz Bhatti considerou Asia Bibi “inocente” e vai apresentar o seu relatório sobre o caso ao presidente Zardari.

Entretanto, vários grupos radicais islâmicos ameaçaram manifestações de protesto em todo o país se Zardari anular a condenação à morte e contra “qualquer conspiração para abolir a lei sobre a blasfémia”

Na audiência pública de 14 de Novembro, Bento XVI falou da “difícil situação” dos cristãos no Paquistão, alvo da sua preocupação.

Em particular, o Papa pediu a libertação da paquistanesa Asia Bibi, cristã de 45 anos condenada à morte sob a acusação de blasfémia.

“Peço que lhe seja restituída a plena liberdade, o mais rapidamente possível, e rezo pelos que se encontram em situações análogas, para que a sua dignidade humana e direitos fundamentais sejam plenamente respeitados”, disse, no Vaticano.

O caso remonta a Junho de 2009, quando mulheres muçulmanas que trabalhavam com Asia Bibi foram ver um responsável religioso e acusaram a cristã de proferir blasfémias contra o profeta Maomé.

Nos próximos três dias, o cardeal Tauran vai encontrar-se com líderes religiosos e com responsáveis da Igreja Católica no Paquistão.

O arcebispo de Lahore, D. Lawrence Saldanha, considera que esta visita - prevista há já algum tempo - é um “grande encorajamento” para os cristãos paquistaneses e chega “num momento crítico, em que se registam crescentes tensões sociais e religiosas”.

Entretanto, segundo a agência especializada AsiaNews, o marido de Ásia Bibi e os seus cinco filhos foram obrigados a deixar a sua casa, por receio de represálias de fundamentalistas islâmicos.

O observatório para a liberdade religiosa no mundo da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre afirma a respeito do Paquistão que "o pior instrumento de repressão religiosa é a lei da blasfémia, a qual continua a causar cada vez mais vítimas".

Esta lei refere-se na realidade ao Artigo 295, B e C, do Código Penal paquistanês. A secção B refere-se a ofensas contra o Alcorão que são puníveis com prisão perpétua; a secção C refere-se a actos que enxovalham o profeta Maomé, puníveis com prisão perpétua ou com a morte.



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