Vaticano

Referência ao cristianismo na Constituição Europeia divide a UE

Octávio Carmo
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O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Michel Barnier, considerou ontem desnecessário modificar o projecto de Constituição Europeia para inserir uma referência ao cristianismo. O actual texto fala apenas nas “heranças culturais, religiosas e humanistas da Europa”. Perante a assembleia nacional, Barnier manifestou a sua convicção de que o actual projecto “é um texto simultaneamente equilibrado e justo”. Portugal e seis outros Estados-membros (Itália, Lituânia, Malta, Polónia, República Checa e Eslováquia) endereçaram sexta-feira uma carta à presidência irlandesa da União defendendo a inscrição de uma referência à herança cristã da Europa no projecto de Constituição, elaborado no seio da Convenção sobre o futuro da Europa. Na segunda-feira, o primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin, afirmou em Dublin que a França “não é hostil” à ideia de incluir uma referência à herança cristã na Europa no projecto de tratado constitucional, embora ressalvando que o assunto deverá ser objecto de consenso. Ontem, foi a vez de a Conferência Episcopal Alemã defender a inclusão de uma referência ao Cristianismo no preâmbulo do futuro Tratado Constitucional da UE, lembrando que “a Europa deve reconhecer as suas raízes comuns, entre as quais está a fé cristã”. Aos futuros eurodeputados é pedido que se empenhem num texto constitucional “que recorde concretamente as raízes cristãs da Europa” e peça “uma referência à responsabilidade diante de Deus”.


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