Vaticano

Vaticano: Papa aberto ao diálogo com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X

Agência Ecclesia
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D. Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X
D. Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA no voo papal

Roma, 13 mai 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje que o diálogo com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), vai decorrer sem procurar “vencedores ou vencidos”.

“Eu descartarei qualquer forma de triunfalismo, nada”, sustentou, na conferência de imprensa que decorreu no voo de regresso a Roma, após uma visita de dois dias a Portugal.

“Para mim não é uma questão de vencedores ou vencidos, mas de irmãos que devem caminhar juntos, procurando formas de dar passos em frente”, acrescentou.

No final de abril, a Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé) “estudou um documento”, que ainda não chegou ao Papa.

“As relações atuais são fraternais. No ano passado, dei licença para a confissão, a todos eles, e também uma forma de jurisdição para os matrimónios”, recordou Francisco.

O Papa observou que alguns dos problemas enfrentados pela FSSPX têm sido resolvidos com a ajuda da Congregação da Doutrina da Fé, dando como exemplo “o caso dos abusos” ou a perda de ministério do sacerdote.

Francisco disse manter uma boa relação com monsenhor Bernard Fellay, superior-geral da FSSPX.

“Não gosto de apressar as coisas: caminhar, caminhar, caminhar, depois se verá”, observou.

O Papa respondeu ainda a uma questão sobre o diálogo com a Igreja Luterana, no contexto dos 500 anos da reforma de Martinho Lutero.

“Foram dados grandes passos em frente. Pensemos na primeira grande declaração sobre a justificação (1996): desde esse momento, o caminho não parou”, lembrou.

“A viagem à Suécia foi muito significativa, porque era o começo, uma comemoração com a Suécia”, assinalou, a respeito da comemoração conjunta católica-luterana da reforma protestante.

O Papa falou do “ecumenismo do caminho, isto é, caminhar juntos, com a oração, com o martírio, com as obras de caridade, as obras de misericórdia”.

Na Suécia, instituições protestantes e católicas de solidariedade fizeram um acordo para trabalhar em conjunto, algo que Francisco considerou “um grande passo”.

 “Os teólogos continuarão a estudar, mas temos de percorrer o caminho. E de corações abertos às surpresas”, concluiu.

OC