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Vaticano: Papa revela aos jornalistas que rezou na Mesquita Azul pelo fim das guerras

Agência Ecclesia
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(Lusa)
(Lusa)

Francisco revelou vontade de ir ao Iraque e pediu a líderes islâmicos uma condenação pública do terrorismo

Cidade do Vaticano, 30 nov 2014 (Ecclesia) – O Papa revelou hoje no voo de regresso da Turquia que rezou este sábado pela paz, na Mesquita Azul, em Istambul, manifestando ainda o desejo de visitar o Iraque e de encontrar-se com o patriarca ortodoxo de Moscovo.

“Na mesquita rezei pela Turquia, pelo mufti, por mim. Disse: Senhor, acabemos com estas guerras”, revelou aos jornalistas que o acompanharam no voo papal, após uma viagem de três dias a Ancara e Istambul.

Francisco afirmou que viajou como “peregrino” e não como turista, pelo que na mesquita, ao ouvir passagens do Corão nas quais se falava de Maria e de João Batista, sentiu a “necessidade de rezar”.

“Perguntei-lhe [ao grão-mufti]: Rezamos um pouco? Ele respondeu-me que sim”, precisou, falando numa “oração sincera”.

Francisco apelou aos líderes políticos, intelectuais e religiosos do Islão que se unam na condenação do terrorismo fundamentalista, condenando ao mesmo tempo a islamofobia.

“Temos necessidade de uma condenação mundial, por parte dos islâmicos, que diga: ‘Não, o Corão não é isto’. Temos sempre de distinguir entre a proposta de uma religião e aquilo que é o uso concreto dessa proposta”, acrescentou.

Antes da viagem falou-se na possibilidade de o Papa se deslocar ao Curdistão ou de visitar um campo de refugiados, situação que o próprio confirmou.

“Gostaria de ir a um campo de refugiados, mas seria preciso mais um dia e não era possível, por várias razões, não só pessoais”, adiantou, agradecendo o esforço do Governo turco no auxílio a estas populações.

“Quero ir ao Iraque, já falei com o patriarca Sako. Neste momento não é possível, se lá fosse, criar-se-ia um problema para as autoridades, para a segurança”, acrescentou.

A este respeito, o Papa quis usar palavras duras para falar da situação dos cristãos que são “escorraçados” do Médio Oriente.

Francisco defendeu que o diálogo inter-religioso se deve centrar na “troca de experiências” das pessoas dos vários credos e não tanto na teologia.

Em relação ao diálogo ecuménico, em particular com o mundo ortodoxo, o Papa defendeu que “a unidade é um caminho que se tem fazer e fazer juntos”, também em questões como a data da Páscoa e o “primado” do bispo de Roma, recordando o “ecumenismo do sangue”, em que os cristãos são mortos, independentemente da sua comunidade eclesial.

Neste contexto, Francisco adiantou que disse ao patriarca ortodoxo de Moscovo, Cirilo I, que estava pronto para encontrar-se com ele onde o líder russo quisesse, admitindo que a guerra na Ucrânia causa dificuldades, neste momento.

O Papa repetiu a convicção de que se vive uma “terceira guerra mundial aos pedaços, em capítulos”, por detrás da qual há um sistema que tem no centro o “deus dinheiro e não a pessoa humana”.

“Por detrás disto há interesses comerciais: o tráfico de armas é terrível, é um dos negócios mais fortes neste momento”, realçou.

Francisco sublinhou que, não querendo falar do “fim do mundo”, vê uma cultura a que chama “terminal”, a partir da qual vai ser preciso recomeçar “do início” como em Hiroshima e Nagasaki.

A conferência de imprensa a bordo do avião demorou cerca de 45 minutos; antes do regresso ao Vaticano, de carro, o Papa passou pela Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para agradecer à Virgem Maria pela viagem à Turquia.

OC



Papa Francisco