Retrato de Marawi, nas Filipinas, depois do ataque Jihadista

Cidade fantasma

A destruição é tão grande que Marawi se transformou numa cidade sem ninguém. Fantasma. Centenas de casas arruinadas, bairros inteiros sem moradores… Uma desolação impressionante. Nem a catedral escapou à violência dos terroristas islâmicos que atacaram Marawi em Maio do ano passado. Só agora, em Janeiro, o Bispo foi autorizado a regressar à sua igreja. A Fundação AIS acompanhou-o…

Foi a 23 de Maio de 2017. Um grupo de jihadistas assaltou a cidade de Marawi, arrasando tudo à sua volta como se de um tsunami de ódio se tratasse. Durante largos meses, esta cidade situada no sul das Filipinas transformou-se num verdadeiro campo de batalha. A Catedral estava de portas abertas. Um grupo de cristãos rezava a Maria no último dia da novena da Festa de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos. Com um alarido assustador, os terroristas – pertencentes ao grupo islâmico “Maute”, ligado ao auto-proclamado Estado Islâmico – entram no templo, começam a disparar e fazem logo ali os primeiros reféns. Depois, começam a destruir a catedral. Manifestando um desprezo absoluto, não poupam qualquer imagem, nada. As autoridades militares lançaram de imediato uma enorme operação militar para a recuperação da Catedral e da cidade. Foi uma guerra violenta e penosa. Centenas de casas foram destruídas, arrasadas pelos bombardeamentos, pela troca de tiros, pelas explosões. De um dia para o outro esta pacata cidade esvaziou-se. Praticamente todos fugiram. As ruas foram tomadas pelos soldados que combatiam os terroristas, entrincheirados nas ruínas das casas. O cheiro a pólvora e a morte tornou-se nauseabundo. Mais de mil pessoas morreram nos combates. Calcula-se que cerca de 400 mil pessoas tenham fugido de suas casas. Foram necessários vários meses para que os militares filipinos conseguissem ir libertando as ruas, os bairros, a cidade. A Catedral de Marawi só foi reconquistada três meses depois. O templo era, então, a expressão do ódio jihadista sobre a comunidade cristã. A Catedral foi libertada mas era necessário, ainda, esvaziá-la de todas as bombas, de todas as armadilhas colocadas pelos jihadistas.

 

O regresso

Dia 11 de Janeiro de 2018. O Bispo Edwin de la Peña, acompanhado por uma delegação da AIS, foi autorizado a reentrar na Catedral de Marawi. O Bispo já sabia o que ia encontrar. Já tinha visto fotografias e vídeos. Mas estar ali, voltar a cruzar aquela porta, voltar a olhar para a “sua” catedral depois da destruição foi completamente diferente. Foi de “partir o coração”, como confessou o prelado a Marc Fromager, o director do secretariado francês da Fundação AIS que o acompanhou naquele regresso. A estátua decepada de Nossa Senhora e a imagem completamente desfigurada de Jesus Cristo crucificado, saltavam à vista. “O momento mais emocionante foi, obviamente, quando o bispo se ajoelhou e ficou a observar todo o trabalho de reconstrução que agora tem de fazer.” Um trabalho, acrescenta, “não só de reconstrução da cidade, mas também de reconstrução espiritual da comunidade, para que possam todos voltar a viver juntos”. Fromager, o único estrangeiro que acompanhou o Bispo Edwin de la Peña no regresso à sua catedral, ficou particularmente impressionado com o que viu. Não só na Igreja mas em toda a cidade. Como se fosse uma cidade fantasma. “O centro de Marawi foi quase totalmente destruído, o que me fez recordar as imagens de Alepo, onde estive no fim do mês de Outubro”, explicou numa carta enviada a todos os secretariados da Fundação AIS. A cidade foi atacada, a catedral e diversas igrejas foram destruídas e milhares de pessoas tiveram de fugir. Agora, é tempo de sarar as feridas, de consertar casas, igrejas, de reconstruir vidas. Os Cristãos são uma ínfima minoria em Marawi. Foram atacados da forma mais violenta que podemos imaginar. O futuro deles nesta cidade depende da ajuda que receberem. Depende de nós.

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

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