Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

Uma das grandes curiosidades do início do atual pontificado era saber quando é que seria publicada a “encíclica” do Papa Francisco sobre a pobreza. Os discursos sobre a “economia que mata” e os gestos de proximidade com os mais desfavorecidos, aqueles para quem pede “teto, terra e trabalho” vezes sem conta, criaram uma natural curiosidade, uma profunda expectativa sobre o que seria um texto de referência para as gerações futuras.

Na sequência do Jubileu da Misericórdia, Francisco decidiu escrever uma encíclica de carne e osso, olhando para hoje e para os anos que estão por vir: a criação de um Dia Mundial do Pobre. Uma semana antes de celebrar a solenidade de Cristo-Rei, as igrejas católicas de todo o mundo são chamadas a abrir as portas a outra, à verdadeira riqueza que aponta ao Reino definitivo.

É um tempo para retomar os alertas contra a avareza e o apego ao dinheiro, com consequências nas relações familiares e sociais, pedindo um uso solidário dos bens materiais.

Muitos acusam o Papa, entre outras coisas menos bonitas, de ser um pauperista. Parecem ignorar que a proposta cristã não é um caminho de pobreza pela pobreza, mas o da pobreza como instrumento, para que Deus seja o único Senhor. Para quem professa a fé católica, não deveria ser difícil de entender.

Igualmente válida continua a advertência sobre a indiferença a que são votados os pequenos dramas dos pobres, em contraponto com a avalanche mediática que qualquer alteração dos mercados origina.

“A pobreza, para nós cristãos, não é uma categoria sociológica, filosófica ou cultural. Não! É uma categoria teologal”. Esta frase do Papa Francisco mostra que a Igreja pobre para os pobres não é uma proposta facultativa, é o caminho privilegiado para imitar Jesus Cristo.

 

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