Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

Quem tem paciência para arrumar a cozinha depois de jantar num dia em que se sente particularmente cansado? Quem se sente motivado a estender a roupa quando a quantidade é razoável? Quem tem paciência para dobrar meias numa família numerosa?

Não é fácil. E o que fazemos é porque somos obrigados a isso. Mas, se te dissesse que existe uma pedagogia por detrás destas tarefas que pode ajudar-te naquelas que mais gostas, ou das quais depende mais o teu sucesso profissional, acreditarias?

O grande pode ser pequeno

Há tarefas que são por natureza complexas. Gerir um projecto. Escrever um livro. Preparar uma disciplina. Lançar um produto. Preparar a celebração de 50 crianças que fazem a primeira comunhão. Preparar a vinda do Papa. Enfim, inúmeras as actividades que se não forem feitas em equipa, fica muito difícil realizá-las.

Depois, há situações em que muito pode depender de ti. E, por vezes, comprometemos a fazer coisas tais que, mais cedo ou mais tarde, chega o dia de deitar as mãos à cabeça e pensar – ”Em que é que me fui meter…” – Ressoa?

O passo a dar é pensar que todo o compromisso é feito de outros mais pequenos. O desafio está mais em conseguir repartir o que nos parece grande em pequenas coisas. Assim, quando temos uma grande quantidade de meias para dobrar, basta começar na divisão por cores, ou entre meias de adulto e de criança. Depois, ver os pares evidentes e só depois ver bem os menos evidentes. Sim… vê-se que tenho experiência neste campo, mas o truque está mesmo em repartir o grande por vários mais pequenos.

Pequenos gestos

Enquanto esta repartição se refere a coisas que temos para fazer, ainda conseguimos vislumbrar a viabilidade, mas quando se trata de aspectos relacionados com relacionamentos entre as pessoas, não é tão evidente.

Há algo importante que preciso de dizer a alguém, mas não encontro coragem de o fazer. Há um perdão a conceder, ou um pedido de desculpas. Tarefas que para alguns podem parecer simples, mas, para outros – onde me incluo – são grandes. Também aqui podemos repartir o grande em muitos pequenos. Neste caso… em pequenos gestos.

Recordo-me de uma situação em que a minha esposa e eu nos zangámos a sério. Não era fácil para nenhum de nós dar o passo em direcção à reconciliação, mas o desejo estava lá. Sem nos darmos conta daquilo que o outro estava a fazer, ambos começámos a reconciliar através de pequenos gestos de atenção. Pequenos actos de amor. Coisas tão simples quanto estar atento ao que o outro precisa e disponibilizar; quando o outro fala, escutar atentamente. Deixámos que o silêncio e os gestos concretos expressassem o desejo de reconciliação com o outro.

A pedagogia

Estamos sempre a aprender. A experiência de vida não se esgota de criatividade. E coisas pequenas, simples de concretizar, ensinam-nos algo que permanece por toda a vida: a partir de pequenos gestos surgem grandes revoluções.

Gostarias de participar nesta revolução dos pequenos gestos?

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