D. Joaquim Mendes participou no Encontro Mundial de Famílias na Irlanda

Lisboa, 28 ago 2018 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal do Laicado e da Família, que participou em Dublin no Encontro Mundial de Famílias, realçou hoje uma “experiência marcante” de  “alegria e beleza”, mas também de “sofrimento por toda a situação que a Igreja Católica está a viver”.

“Por um lado, foi a vivência de uma Igreja que é família de famílias, e de uma Igreja que ama as famílias, mas depois há esse aspeto doloroso, que a Igreja carrega, de uma Igreja que é santa e pecadora”, salientou D. Joaquim Mendes, sobre a questão dos abusos que marcou a participação do Papa Francisco naquele evento, na Irlanda.

O 9.º Encontro Mundial de Famílias, que decorreu na capital irlandesa entre os dias 21 e 26 de agosto, contou com a presença de milhares de famílias dos mais variados continentes, incluindo de Portugal, e também com o Papa nos últimos dois dias do evento.

Apesar de esta viagem apostólica internacional ter como primeiro objetivo a participação neste grande evento de famílias, Francisco pautou o seu discurso com várias mensagens relacionadas com os casos de abusos sexuais a menores, envolvendo membros do clero e religiosos, na Irlanda e em outros países.  

D. Joaquim Mendes, que acompanhou a comitiva lusa até à Irlanda, realçou a importância do Papa ter abordado uma problemática que “toca a todos” quantos fazem parte do “corpo eclesial”, que “confunde e envergonha”, mas que “é preciso olhar para ela”.

“O participar desta dor, desta situação toda muito penosa, marcou também este encontro. Ver a santidade da família, a beleza, a alegria, a esperança da família, o reacender do dom do matrimónio, ao serviço da vida e no testemunho do amor, mas por outro esta parte mais escura, esta sombra pesada”,  admitiu o também bispo-auxiliar de Lisboa.

Desde o seu primeiro discurso após aterrar em Dublin, até ao último encontro com as comunidades no Phoenix Park, o Papa argentino mostrou o empenho da Igreja Católica em erradicar das suas estruturas o estigma dos abusos sexuais contra menores, e em pedir perdão pelas falhas cometidas.

“O ato penitencial que o Papa fez na missa final, eu estava a assistir, estava a concelebrar, foi muito forte”, recorda D. Joaquim Mendes, que considera esta “uma marca forte que fica, mas que não é suficiente”.

Diante desta problemática, a Igreja Católica deve prosseguir no desenvolvimento de mecanismos que permitam prevenir mais situações de abuso, ou de encobrimento de abusos.

No entanto, frisou aquele responsável, “a Igreja não pode ficar no pecado” mas aproveitar todo o bem que a carateriza, enquanto motor de mudança e de regeneração.

“Há muita gente santa, que dá a vida e que defende a dignidade humana, que defende a dignidade dos pobres, das crianças. Não podemos tomar uma parte pelo todo”, sustentou o presidente da Comissão Episcopal do Laicado e da Família.

Sobre o programa do 9.º Encontro Mundial de Famílias, D. Joaquim Mendes realça a oportunidade de reforçar o papel da Família enquanto “comunidade de vida e de amor” e de “contagiar outras” para este caminho.

“Foi admirável ver famílias inteiras com três, quatro, cinco filhos, com os pais, algumas traziam também os avós. Pessoas que amam, que valorizam a família, que têm uma experiência de família. E neste sentido são também uma luz e uma esperança para a Igreja e para o mundo”, apontou o prelado.

Que realçou também a partilha e a troca de experiências que se gerou, sobretudo durante os dias do congresso dedicado à Família, inspirado na exortação apostólica do Papa, ‘A Alegria do Amor, e depois também nos vários momentos de encontro com Francisco.

Experiências que mostraram a “sintonia” que existe “entre a experiência das famílias e a mensagem ou a proposta do Papa, na Amoris Laetitia”.

“Foi muito interessante ouvir testemunhos de famílias a dizerem  que se reencontraram na Amoris Laetitia. E estou certo que os casais que participaram vieram tocados e reforçados na sua vivência e realidade como esposos e como famílias”, acrescentou D. Joaquim Mendes, que enquanto responsável pastoral espera que a riqueza do encontro não se perca aqui.

Mas “que estas famílias contagiem outras na descoberta da família como caminho de amor, como comunidade, como Igreja doméstica, como espaço de crescimento e de realização”.

“Nós temos de reforçar, a todos os níveis, social, político, temos de reforçar as famílias e apoiar as famílias e acompanhar as famílias para que elas possam cumprir a sua missão de cuidar da vida dos filhos, acompanhar, proteger, defender. Isto é uma missão de todos”, completou.

JCP

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