«Trata de todos os que vivem neste planeta e do próprio planeta», sublinha o teólogo Juan Ambrósio

Lisboa, 26 set 2018 (Ecclesia) – A rede ecuménica ‘Cuidar da Casa Comum’ vai promover este sábado o encontro aberto ‘Também somos Terra’, com a apresentação de um compromisso comum, no Seminário de Almada, na Diocese de Setúbal.

“O compromisso é dizer, publicamente, que este grupo de pessoas e rede de movimentos quer concretizar a sua opção crente através deste cuidado da casa comum na sua vertente ecológica mas integral”, explica Juan Ambrósio.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o professor universitário realça que o compromisso “não é só uma vertente ecológica verde”, que está presente e incluída, mas a que é proposta na encíclica papal ‘Laudato Si’ que também “trata das pessoas, de todos os que vivem neste planeta e do próprio planeta”.

Neste contexto, sublinha que a ecologia integral “olha para tudo”, ou seja, para o ecossistema mas também “para os habitantes desse ecossistema”.

Segundo o entrevistado não se pode dizer que se é ecológico e “não dar atenção nenhuma aos pobres e marginalizadas, aos que estão nas periferias”, usando expressões do Papa.

“A renovação da Igreja e o Cuidado da Casa Comum, para que possa ser um sítio habitado por todos”, são para o teólogo “os dois focos essenciais do pontificado” de Francisco.

Juan Ambrósio refere que o compromisso pretende que se pense como a “corresponsabilidade” pelo cuidado pela casa comum “não é algo que acresce à fé mas decorrente da própria opção crente”.

Os participantes são convidados a sensibilizar, por exemplo, nos próprios movimentos, as comunidades cristãs e com quem cada um se cruzam a irem “adotando gestos concretos de mudanças de estilos de vida a nível do ecológico”, a “assumir atitudes concretas”.

O tema do encontro ‘Também somos Terra’ vai ser desenvolvido pela economista Manuela Silva, da comissão executiva da rede e antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz da Igreja Católica, por Juan Ambrósio, e o ecologista Francisco Ferreira, a partir das 10h30, antes de uma caminhada orante.

“Vivemos num tempo em que temos de assumir muito, como parte da nossa maneira crente de estar e habitar no mundo, que o cuidado da casa comum também ao nível da ecologia deve ser uma das nossas preocupações e devemos assumir isso como uma das vocações e chamamento que o próprio Deus nos dirige neste tempo”, desenvolveu o teólogo sobre o tema.

Segundo o programa, o almoço é uma “refeição ecológica e de partilha fraterna” e, às 14h30, o TUT – Teatro Académico da Universidade de Lisboa, com direção artística de Júlio Martín vai apresentar uma leitura encenada de ‘O Homem que Plantava Árvores’ (conto de Jean Giono), no Seminário de Almada, na Diocese de Setúbal.

Juan Ambrósio considera que se “está a fazer caminho” e os alunos não têm preocupações só pelo cuidado verde mas também pela pessoa, “há sinais de atenção” e a ecologia que, não pode deixar de ser verde, tem de ser integrada “numa visão que inclua o ser humano”.

“É incompatível falar de equilíbrio da redução do plástico, de gazes de estufa, e deixar que gente morra à fome, que não tenha dignidade de vida. A visão tem de ser global”, realça o professor universitário.

Após a Eucaristia (16h30), presidida por D. José Ornelas, bispo da Diocese de Setúbal que acolhe o encontro, a partir das 17h30 vai ser lido o Compromisso com que o projeto ecuménico ‘Cuidar da Casa Comum’ termina a iniciativa ‘Também somos Terra’, cuja inscrição é gratuita.

CB

Este evento da rede ‘Cuidar da Casa Comum’ faz parte de um conjunto de iniciativas que estão a ser realizadas desde o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado com a Criação (1 de setembro), instituído pelo Papa Francisco em 2015, ano em que publicou a encíclica ‘Laudato si – Sobre o cuidado pela Casa Comum’.

 

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