Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

Todos os anos podemos observar um fenómeno astronómico que não deixa de nos maravilhar. Aquele a que chamamos de “chuva de estrelas” e que, este ano, ocorre na passagem de dia 12 para dia 13 de Agosto. No horizonte vêem-se também os planetas Marte, Júpiter e Saturno.

A chuva de estrelas tem origem na passagem de detritos deixados pelo cometa Swift-Tuttle na sua órbita em torno do Sol. Quando a Terra passa pela zona onde estes foram deixados, ao atingirem a atmosfera desintegram-se, provocando um rasto de luz.

O convite que nos é feito todos os anos é o de desfrutar do espetáculo que a natureza nos proporciona. O que me pareceu interessante nesse convite, feito pelos astrónomos, foi o de fazer a observação a olho nu para ter um ângulo de visão maior, sendo precisamente esse que nos permite tirar partido do espetáculo. Interessante porquê?

Talvez um exemplo ajude a perceber. Na sua TED Talk sobre “Prestar Atenção” (Pay Attention), Daniel Midson-Short conta a experiência de visitar o quadro da Mona Lisa de Leonardo da Vinci no Louvre, em Paris. É uma das mais famosas pinturas de sempre. A fila para a visitar é enorme, mas Daniel notou algo curioso. Quase ninguém olhava para a Mona Lisa. A maior parte das pessoas esforçava-se, simplesmente, por tirar uma selfie com o quadro. O ângulo de visão e a profundidade eram encurtadas pelo seu écran de smartphone.

Posso estar errado, mas quantas vezes não é isso que fazemos diante de momentos contemplativos como finalmente estar diante do quadro da Mona Lisa, ou de uma chuva de estrelas. Encurtamos a nossa visão com um écran de smartphone. E fazemos isso com tantos momentos da nossa vida que me questiono se os desfrutamos, ou meramente os registamos sem os desfrutar.

Convido a experimentares uma visão mais ampla. Usa toda a visão periférica do teu olhar e mete de lado o telemóvel. Desfruta. Contempla. Agradece a Deus esses momentos. O único sítio onde vale a pena ficarem gravados é mesmo na tua memória. A nossa memória grava mais do que uma imagem. Grava a emoção que sentimos, a brisa que te tocou na pele, a amplitude das cores, a dança das árvores e o canto dos pássaros. Re-descobre o valor de ampliar o olhar.

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