D. Zeferino Zeca Martins destaca pacificação na relação Igreja-Estado e antecipa sucesso ao novo bispo de Cabinda

D. Zeferino Zeca Martins

Luanda, 29 set 2018 (Ecclesia) – O bispo angolano D. Zeferino Zeca Martins, auxiliar de Luanda, saudou o novo período que se vive na política angolana e nas relações Igreja-Estado.

“Esta viragem é um modo de dizer que o que vínhamos fazendo até agora estava mal feito”, assinala o responsável, em declarações à Agência ECCLESIA.

Bispo auxiliar desde 2012, quando foi nomeado por Bento XVI, D. Zeferino Zeca Martins, antigo provincial dos Verbitas, diz que Angola “ainda é terra de missão”, do ponto de vista católico, e viveu uma “crise moral”, antes do atual tempo de “reconstrução”.

“A Igreja está muito atenta” à evolução política numa sociedade “moralmente desfeita pela corrupção, pelo descompromisso” público, acrescenta.

O prelado explica ainda que o acordo entre a Santa Sé e Angola para uma Concordata está “bem encaminhado”.

“A Igreja está a viver um momento muito bom, muito bonito”, sustenta.

D. Zeferino Zeca Martins antecipa ainda a ordenação do novo bispo de Cabinda, este domingo.

“Eu penso que a nomeação de D. Belmiro foi acertadíssima, vem numa ocasião propícia”, observa, a respeito de um responsável com quem colaborou em Luanda e na comissão Justiça e Paz.

“É uma pessoa de muito diálogo, muito trabalhadora, muito da Igreja, um missionário autêntico. Creio que a Igreja de Cabinda só terá a ganhar”, prossegue.

O bispo auxiliar de Luanda espera que D. Belmiro Cuica Chissengueti, nomeado pelo Papa Francisco a 3 de julho, seja bem acolhido pelos católicos da comunidade de Cabinda, uma Igreja “já madura, que está aberta à Igreja universal”.

Já o novo bispo de Cabinda (Angola) disse à Agência ECCLESIA que quer ser alguém aberto ao diálogo, “sem nunca fechar as portas a ninguém”.

D. Belmiro Cuica Chissengueti, até agora superior provincial da Congregação do Espírito Santo (Espiritanos) em Angola, vai ser ordenado a 30 de setembro, numa cerimónia a decorrer na Arquidiocese de Luanda; a tomada de posse na Diocese de Cabinda acontece a 7 de outubro.

D. Belmiro Cuica Chissengueti

Quanto a pretensões independentistas no enclave de Cabinda, o novo bispo sublinha que a missão da Igreja é “essencialmente religiosa, espiritual”, sem qualquer “distinção” de pessoas.

A diocese angolana esperava um novo bispo desde 2014, altura em que D. Filomeno Dias foi nomeado arcebispo de Luanda, continuando como administrado apostólico de Cabinda.

D. Belmiro Cuica Chissengueti nasceu em 5 de março de 1969, na aldeia do Cutato-Chiguar, município da província do Bié, no centro de Angola.

PR/HM/OC

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