Discípulos de Cristo, ao serviço da missão

Quem é o maior? É a pergunta recorrente que aparece no Evangelho deste 29.º Domingo do Tempo Comum. Os discípulos pedem a Jesus para se sentarem um à direita e outro à esquerda na sua glória. A glória de Jesus, para Tiago e João, só podia ser a glória temporal do Messias. Eles pedem-Lhe para lhes dar os melhores ministérios no futuro governo! Mas Jesus pensa noutra glória: no cálice da Paixão, depois de ter mergulhado no batismo da sua morte.

É evidente que os dois discípulos não podiam compreender isso. O trono de Jesus é a sua cruz. É na cruz que vai raiar em supremo grau o amor do Pai por todos os homens. Na cruz, Jesus está rodeado por dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Eles simbolizam a humanidade, ao mesmo tempo mergulhada nas trevas e acolhedora da luz. É toda a humanidade que é chamada a entrar no Reino, a partilhar a glória do Rei: os que reconhecem Jesus e os que O rejeitam. Jesus cumpriu perfeitamente a vontade do seu Pai: veio para servir e dar a vida pela humanidade.

Cabe a todos os discípulos, a nós também seus discípulos missionários, serem também servidores da salvação para todos os homens. Jesus convida-nos a não nos deixarmos manipular por sonhos pessoais de ambição, de grandeza, de poder e de domínio, mas a fazermos da nossa vida um dom de amor e de serviço, a darmos testemunho de uma nova ordem e propor, com o nosso exemplo, um mundo livre do poder que escraviza.

O Evangelho convida-nos assim a repensar a nossa forma de nos situarmos, na família, na comunidade, na escola, no trabalho, na sociedade. Não basta denunciar os jogos de poder, as tentativas de domínio sobre aqueles que vivem e caminham ao nosso lado, os sonhos de grandeza, as manobras patéticas para conquistar honras e privilégios, a ânsia de protagonismo, a busca desenfreada de títulos, a caça às posições de prestígio.

O cristão tem absolutamente de anunciar: dar testemunho de uma ordem nova no seu espaço familiar, colocando-se numa atitude de serviço e não numa atitude de imposição e de exigência; dar testemunho de uma nova ordem no seu espaço laboral, evitando qualquer atitude de injustiça ou de prepotência sobre aqueles que dirige e coordena; encarar a autoridade que lhe é confiada como um serviço, cumprido na busca atenta e coerente do bem comum.

E já agora, que isso aconteça primeiramente nas nossas comunidades cristãs e religiosas. A Igreja não pode afastar-se da sua identidade: ser fiel a Cristo, viver a missão, transmitir a fé. Este domingo, Dia Mundial das Missões, vivido em Ano Missionário, é uma excelente oportunidade para nos recordar a essência do que somos: discípulos de Cristo, ao serviço da missão.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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