Como João Batista, fiéis à missão

Neste 12º domingo do tempo comum, celebramos a Solenidade de S. João Batista. A Palavra de Deus apresenta-nos esta figura profética. Escolhido por Deus para ser profeta, ainda antes de nascer, ele é um dom de Deus ao seu Povo. Sublinhando a importância de João na história da salvação, a liturgia não deixa, contudo, de mostrar que João não é a salvação; ele veio apenas dirigir o olhar dos homens para Cristo e preparar o coração dos homens para acolher a salvação que estava para chegar.

A primeira leitura apresenta-nos uma misteriosa figura profética, eleita por Deus desde o seio materno, a fim de ser a luz das nações e levar a Palavra ao coração e à vida de todos os homens. Impressiona especialmente a centralidade que Deus assume na vida do profeta: toda a missão profética brota de Deus e sustenta-se de Deus.

Na segunda leitura, Paulo fala aos judeus de Antioquia do profeta João. A sua missão consistiu em convidar os homens a uma mudança de vida e de mentalidade, numa espécie de primeiro passo para acolher o Reino que Jesus veio, depois, propor.

O Evangelho relata o nascimento de João. Os acontecimentos ligados ao seu nascimento mostram como o profeta João é um dom de Deus.

“Quem virá a ser este menino?”, diz o Evangelho. João Baptista será o único ser humano, com a Virgem Maria e Jesus, naturalmente, de quem a Igreja celebra o nascimento terrestre. Para todos os outros santos, ela faz memória do seu “nascimento para o céu”, isto é, da sua morte. Porquê um tal privilégio para João Baptista? Porque recebeu o Espírito Santo desde o seu nascimento, quando Maria, a “cheia de graça”, veio visitar a sua prima Isabel. Ele é o maior dos profetas de Israel, porque reconheceu e designou o Messias. Isso aconteceu em toda a sua vida. Até ao fim, permanecerá fiel à sua missão de porta-voz de Deus. Viveu numa total humildade, sabendo fazer a verdade sobre si mesmo. Pôde, então, viver no amor que tem a sua fonte em Deus. Amigo do esposo, de Jesus, reconheceu que Jesus era maior do que ele. Tornou-se, assim, para nós, um exemplo na nossa caminhada de seguimento de Jesus, para que deixemos, nós também, Jesus crescer em nós. Que isso seja também a nossa alegria.

“Quem será esta criança?” Cada um é único, cada recém-nascido é uma nova criatura de Deus. Cada um de nós recebe de Deus uma missão. A liturgia deste dia recorda-nos que cada um de nós é escolhido por Deus para a missão que nos é confiada. Vejamos qual é a nossa missão e procuremos fazer o ponto da situação, no plano espiritual, para recomeçar de novo na fidelidade à missão a que o Senhor nos chama e envia.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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