Cardeal John Tong, de Hong Kong, vai presidir às celebrações do 13 de maio em Fátima

Cidade do Vaticano, 10 mai 2018 (Ecclesia) – A recente aproximação entre o Vaticano e China, assumida pelos responsáveis da diplomacia da Santa Sé, tem seguido o caminho dos “pequenos grandes passos”, explica o portal ‘Vatican News’, numa série de artigos sobre o tema.

“Já há algum tempo foram iniciados contatos entre os representantes da Santa Sé e da China Popular para tentar resolver, de maneira construtiva e não conflituosa, alguns problemas da Igreja, a partir do delicado e importante tema da nomeação de bispos: trata-se de uma abordagem pastoral, destinada a iniciar uma forma de cooperação que possa ser favorável a todos”, pode ler-se.

As relações diplomáticas entre a China e a Santa Sé terminaram em 1951, após a expulsão de todos os missionários estrangeiros, muitos dos quais se refugiaram em Hong Kong, Macau e Taiwan.

Em 1952, o Papa Pio XII recusou a criação de uma Igreja chinesa, separada da Santa Sé [Associação Patriótica Chinesa, APC] e, em seguida, reconheceu formalmente a independência de Taiwan, onde o núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) se estabeleceu depois da expulsão da China.

A APC seria criada em 1957 para evitar “interferências estrangeiras”, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconhecem a autoridade do Papa.

O ‘Vatican News’ explicam que o atual clima do diálogo entre Santa Sé e China foi possível “graças aos pequenos grandes passos realizados pelos últimos pontífices”.

“A missão da Igreja, mesmo na China, não é mudar a estrutura ou a administração do Estado, ou estar contra o poder temporal que se exprime na vida política. Com efeito, se a Igreja fizesse da sua missão apenas uma batalha política, trairia a sua verdadeira natureza”, acrescenta o texto que analisa as atuais relações Pequim-Vaticano.

A 29 de março, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé disse aos jornalistas que “não há assinatura” de algum acordo com a República Popular da China e realçou que o Papa Francisco “acompanha as etapas do diálogo em curso”.

O suposto acordo entre a Santa Sé e a República Popular da China permitiria regularizar o estatuto da Igreja Católica nesse país.

Já a 30 janeiro deste ano, o Vaticano negou qualquer “divergência de pensamento e ação entre a Santa Sé e os seus colaboradores na Cúria Romana”, sobre o diálogo desenvolvido com a China.

A peregrinação internacional do 13 de maio, em Fátima, vai ser este ano presidida pelo cardeal John Tong, bispo emérito de Hong Kong, um protagonista da região que marcou a sua liderança da diocese chinesa pela discrição; na sua carta de despedida da diocese, em 2017, o responsável encorajou a Santa Sé a “levar por diante o diálogo entre a China e o Vaticano”.

OC

Partilhar:
Share