D. Jorge Ortiga abriu sessão que contou com a reflexão de Sampaio da Nóvoa, Pacheco Pereira e Isabel Estrada

Foto: DACS – Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social

Braga, 10 mar 2018 (Ecclesia) – A Arquidiocese de Braga convidou o ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, o historiador Pacheco Pereira e a professora universitária Isabel Estrada para falarem de ‘Cidadania e Responsabilidade Social’, numa nova conferência ‘Nova Ágora’.

“O discurso exige, muitas vezes, inconformismo, atitudes contracorrentes e não permitir que agendas políticas ou ideológicas tomem as rédeas do nosso futuro”, afirmou o arcebispo de Braga, esta sexta-feira.

Para D. Jorge Ortiga é importante todos assumirem responsabilidades no âmbito da cidadania ativa e responsabilidade social pondo em prática os discursos, para que não se tornem “meras palavras estéreis”.

O prelado realçou que cidadania é o “direito e o dever” de cada indivíduo participar ativamente “na vida e no governo do país”, é um ato de responsabilidade “na prossecução do bem comum”.

“Existem minorias silenciosas a quem devemos, por imperativo de consciência, emprestar a nossa voz”, desenvolveu na abertura de uma conferência do ciclo ‘Nova Ágora’.

A Arquidiocese de Braga informa que Isabel Estrada, professora da Universidade do Minho, partilhou reflexões sobre o conceito de cidadania social alertando para a crescente desvalorização da política e descrença no exercício de direitos políticos.

“Enquanto detentora de direitos sociais, sou um cidadão passivo. Enquanto detentora de direitos políticos, sou um agente ativo, sou chamada a intervir”, explicou, sublinhando que os direitos políticos são “as únicas armas” que garantem o exercício dos direitos sociais, por isso, são “instrumentos de luta social”.

Isabel Estrada considera a ideia da sociedade suprir o papel do Estado na sua missão solidária “perturbadora”, uma vez que “o princípio comunitarista” atua em função de critérios “não universais” mas de “avaliação da condição moral daquele indivíduo para merecer a ajuda”.

“Cidadania implica direitos, deveres, participação, mas também tem a ver com decisão”, explicou, por sua vez, o ex-reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa.

Hoje, analisa, é essencial criar “espaços de discussão, debate e decisão” e elogiou os jovens que têm construído esses novos espaços.

Sampaio da Nóvoa realçou que as decisões “devem basear-se no conhecimento, na ciência e na cultura científica” e alertou para o excesso de presença do mundo digital pela divulgação de “ideias préconcebidas, não fundamentadas e irracionais, sem base científica ou, sequer, sensatez”.

Já o historiador Pacheco Pereira disse que na sociedade atual a nova “ágora” são as redes sociais, o que “enfraquece a democracia”, uma vez que a “hierarquia do saber é posta em causa”.

“O que se passa hoje é que há uma espécie de igualitarismo agressivo, de nova ignorância. Enquanto a antiga ignorância era um reconhecimento de uma fragilidade, a nova ignorância tende a ser igualitária e agressiva”, desenvolveu, e exemplificou que “a opinião tem o mesmo valor do que a opinião de quem sabe” porque se publicou na internet, no blog e porque fala-se “teoricamente, para milhões de pessoas”.

“Pessimismo na inteligência, otimismo na vontade”, foi o mote do historiador que considera que as redes sociais e os dispositivos eletrónicos contribuem para “uma sociedade muito solitária”.

“É nossa obrigação travar, criar um código de conduta”, disse o ex-dirigente social-democrata, divulga a Arquidiocese de Braga.

O debate esta sexta-feira foi moderado pelo diretor do Porto Canal, Júlio Magalhães, e teve atuação do coro João Paulo II, no Espaço Vita.

CB

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