«Francisco não cai no esquema demasiado simples da classificação entre regular e irregular» – D. José Cordeiro

Foto: Agência ECCLESIA/TAM

Bragança, 01 dez 2018 (Ecclesia) – O bispo de Bragança-Miranda apresentou hoje uma Nota Pastoral com orientações sobretudo para uma “maior integração eclesial dos divorciados a viver em nova união”, uma “aplicação do capítulo VIII” da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco ‘Amoris Laetitia’.

“O Papa não faz a catalogação das famílias, mas apresenta o ideal cristão da família. Francisco não cai no esquema demasiado simples da classificação entre regular e irregular, porque este tipo de catalogação não é justo em relação às inúmeras situações das famílias”, escreve D. José Cordeiro.

No documento enviado à Agência ECCLESIA, pelo Secretariado das Comunicações da Diocese de Bragança-Miranda, o bispo da diocese transmontana explica que a “terapia” que Francisco apresenta é: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade.”

A nota pastoral ‘A alegria e a fragilidade do Amor no Matrimónio e na Família’ oferece “orientações” para a “aplicação do capítulo VIII” da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco ‘Amoris Laetitia’.

No final do documento um “guia prático” propõe a criação no âmbito do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar uma equipa interdisciplinar “onde não falte um psicólogo, um jurista, um sacerdote e um ou dois casais com credibilidade testemunhativa”.

D. José Cordeiro informa que a equipa interdisciplinar vai ter como missão “monitorizar”, com o auxílio dos párocos, os casais em fragilidade, “encaminhar” para a Vigararia Judicial os casais que “indiciem possível nulidade do sacramento do matrimónio anterior”.

A nova equipa vai também “percorrer um caminho catecumenal de discernimento” com os casais que desejarem, “servindo de mediadores ou facilitadores em ordem a uma inclusão metódica e gradativa na Igreja que pode ter várias saídas pastorais, não abrindo de per si, mas também não excluindo”.

D. José Cordeiro assinala que a exortação Papal ‘Amoris Laetitia’ propõe “cuidar” sobretudo de “quatro pontos mais urgentes” quando ao matrimónio que são a “preparação para o matrimónio” o acompanhamento dos casais jovens, o “apoio à família na transmissão da fé” e a “maior integração eclesial dos divorciados a viver em nova união”.

No contexto das “diferentes situações”, o bispo diocesano realça que se deve fazer uma “adequada distinção porque nem todos os casos são iguais”, como especificado no (n. 298) documento do Papa Francisco.

Para D. José Cordeiro o sacerdote “deve aparecer como pastor” e não como “controlador da graça” e explica que o caminho do discernimento “não acaba necessariamente nos sacramentos”, mas “pode orientar-se para outras formas de uma maior integração na vida da Igreja”.

A Nota Pastoral ‘A alegria e a fragilidade do Amor no Matrimónio e na Família’ foi publicada hoje quando a Diocese de Bragança-Miranda vive a abertura do Ano Litúrgico e Pastoral 2018/2019, em Mogadouro, onde foi também apresentada a nota pastoral ‘Mendigos da Luz de Cristo’.

CB

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