Lisboa, 18 out 2018 (Ecclesia) – O candidato do PSL à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, encontrou-se esta quarta-feira com o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta, e afirmou ter assinado um compromisso para a valorização da família.

“Vim muito mais para ouvi-lo do que para falar. Assinamos um compromisso em defesa da família, em defesa da inocência da criança na sala de aula, em defesa da liberdade das religiões, contrário ao aborto, contrário à legalização das drogas, ou seja, um compromisso que está no coração de todo brasileiro de bem”, disse Bolsonoro aos jornalistas, diante do cardeal, na sede da arquidiocese brasileira.

Na última semana, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Leonardo Steiner, tinha recebido, na sede da entidade, em Brasília, o candidato do PT, Fernando Haddad.

Em nota pública, emitida após a reunião, o secretário-geral refere que abordou com o candidato assuntos que preocupam os bispos do Brasil, como “a não legalização do aborto”, “a defesa da democracia” e “o combate rigoroso à corrupção”.

D. Leonardo Steiner realça que a CNBB é uma “instituição aberta ao diálogo com pessoas e grupos da sociedade brasileira”, pelo que é comum, em período eleitoral, que “candidatos de diversos partidos e grupos políticos solicitem agenda e sejam recebidos pela entidade”.

O responsável também apresentou a Fernando Haddad o trabalho realizado pela CNBB durante a Campanha da Fraternidade deste ano, que “tratou de forma profunda a mobilização pela superação da violência”.

A página da CNBB tem publicado artigos de opinião de vários bispos, sobre as eleições presidenciais.

O arcebispo de Belo Horizonte, D. Walmor Oliveira de Azevedo, sustenta que “os governos não devem estar a serviço de interesses específicos, pouco nobres, mas de toda a coletividade, especialmente dos mais pobres”.

D. Reginaldo Andrietta, bispo de Jales, fala num “clima de muitíssima agressividade, provocado sobretudo pela ingerência de grandes poderes económicos e mediáticos na vida política, que utilizam mecanismos de manipulação ideológica”.

Esta segunda-feira, as Pastorais Sociais da Igreja Católica no Brasil lançaram um comunicado conjunto sobre a segunda volta das eleições presidenciais, a 28 de outubro, apelando à “preservação do Estado Democrático”.

Os vários organismos alertam para a possibilidade de eleição de “um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais”.

OC

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