«Resultado da vontade dos cidadãos», Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República do Brasil

Brasília, 29 out 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais) afirmou que as eleições deste domingo “marcam o início de um novo ciclo” e que são o “resultado da vontade dos cidadãos”, que escolheram Jair Bolsonaro como presidente da República do Brasil.

“Não se pode acreditar na solução imediata dos problemas, simplesmente porque determinado candidato venceu o pleito. O dia seguinte às Eleições não é um ‘conto de fadas’”, refere D. Walmor Oliveira de Azevedo.

Num artigo divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o arcebispo explica que para vencer os “muitos desafios”, o povo brasileiro precisa procurar “respostas alicerçadas em um profundo humanismo, em princípios e valores fundamentais conforme exige o sistema democrático”.

D. Walmor Oliveira de Azevedo explica que a participação cidadã para além de possibilitar a escolha dos representantes do povo nas eleições “assegura aos governados a prerrogativa de acompanhar e direcionar a atuação dos próprios governantes”.

Aos 63 anos de idade, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), foi eleito 38.° presidente da República do Brasil com 55% dos votos e o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, registou 44%.

“A partir das eleições é necessário renovar a compreensão de que uma autêntica democracia requer um Estado regido pelo Direito, sobre a base de uma rica conceção do ser humano, conforme ensina a Doutrina Social da Igreja Católica”, assinala o arcebispo de Belo Horizonte.

O arcebispo brasileiro realça que é preciso aceitar, “com convicção”, os valores que inspiram “os procedimentos democráticos – o zelo pelos direitos e pela dignidade humana, a busca do bem comum” – e alerta que uma democracia sem princípios “converte-se, facilmente, em totalitarismo, aberto ou dissimulado”.

Segundo o artigo divulgado pela CNBB, D. Walmor Oliveira de Azevedo salienta também que para evitar deformações do sistema democrático – a corrupção política, a traição de princípios morais e a inaceitável negociação da justiça social – os partidos políticos devem ser capazes de favorecer a participação dos cidadãos.

“É exigido qualificado desempenho dos que ocupam cargos nos três poderes, mas também é indispensável a colaboração cidadã de cada pessoa na definição dos rumos do país”, explica.

CB

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