D. Ildo Fortes realça que «Igreja por natureza é casa de todos»

D. Ildo Fortes (Foto de arquivo)

Fátima, 17 ago 2018 (Ecclesia) – O bispo do Mindelo, em Cabo Verde, afirmou que a “Igreja na diáspora é espaço de encontro” para os cabo-verdianos que saíram do arquipélago à procura de melhores condições de vida, numa entrevista pela Semana das Migrações em Portugal.

“A Igreja na diáspora e local, em Cabo Verde, é espaço de encontro onde os cabo-verdianos se sentem acolhidos, para a convivência, para a cultura; A Igreja por natureza é casa de todos”, disse em declarações à Agência ECCLESIA.

D. Ildo Fortes explicou que as comunidades migrantes procuram e “querem a presença do pastor”, por isso, são “solicitados para visitar e presidir” a festas, para crismar.

“A maior parte não tem capelão então passamos muitas vezes, os bispos inclusive”, observa sobre a migração que “mantém um pouco a sua identidade, a comunhão” e exemplifica que têm comunidades cabo-verdianas organizadas, por exemplo, em Boston, nos Estados Unidos da América, em Paris, Nice, Portugal, paróquias na Holanda, em Roma.

“Portugal só não é mais destino de emigração porque é dificílimo ter acesso a um visto para vir para a Europa. É assunto que merecia ter outra atenção. Há pessoas que quererão emigrar para encontrar melhores condições de vida, em todo o mundo é assim, hoje é dificílimo um cabo-verdiano sair”, desenvolve.

O prelado realça que os “dois países são países irmãos” e “é normal que qualquer cabo-verdiano anseie” vir a Portugal “onde tem um familiar”, relações que se estendem às duas Igrejas que têm “grandes laços”.

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a 46.ª Semana Nacional de Migrações com o tema ‘Cada forasteiro é ocasião de encontro – Migrantes e refugiados no caminho para Cristo’, até este domingo, 19 de agosto.

O bispo da Diocese do Mindelo, em Cabo Verde, observa que o acolhimento e integração “depende das regiões” e, hoje, a novas gerações “não vivem tanto a experiência de exclusão ou sentirem-se à margem”.

Neste âmbito, contextualiza que jovens com 20 ou 30 anos “têm outra formação e perspetiva”, com exemplos de “empreendedores, bem colocados” na Holanda e na Suíça.

“Os mais velhos transportaram valores humanos belíssimos, responsáveis, bons trabalhadores, gente de fé, dai que em muitas partes é querido e apreciado pela sua qualidade”, acrescenta, sobre um país onde a “migração é uma constante”, com “500 mil residentes e um milhão entre a América do Norte e, sobretudo, a Europa”.

Em Cabo Verde encontra-se uma Igreja Católica que tem a marca da “simplicidade” e da “jovialidade”, num país com “índice de juventude elevadíssimo.

“É uma riqueza enorme ter jovens, famílias, crianças”, que implica ter escolas, dinâmicas e ao mesmo tempo o problema da “maior parte da juventude não tem ocupação” e as universidades “estão cheias de jovens” mas “não se sabe qual o destino” com a escassez de trabalho.

A Diocese do Mindelo “é muito jovem”, foi criada pelo Papa São João Paulo II e está a fazer 15 anos, abrange as seis ilhas do barlavento (norte), “uma está desabitada” onde o prelado abençoou no início do mês uma capela, num arquipélago com 10 ilhas.

Uma “Igreja que cresce graças a Deus”, num país com dificuldades onde “não chove há dois” e estão a viver uma “crise de seca que não se via há muitos anos”.

D. Ildo Fortes revela ainda que no último senso oficial, “há alguns anos, baixou o número dos que se dizem católicos, agora entre 80-70%”, e cresceu o grupo daqueles que dizem não têm religião.

“O fenómeno novo é o Islão que não fazia parte destes 500 anos de história mas o fluxo migratório da costa africana – Guiné-Bissau, Nigéria, Senegal – temos milhares de irmãos africanos que professam a fé muçulmana e têm mesquitas adaptadas”.

HM/CB

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