Padre Albino Brás considera que o Arcebispo de El salvador, morto em 1980 e que será tornado santo no próximo domingo, estaria hoje a fazer «o mesmo tipo de denúncias contra a opressão do povo»

Foto CNS

Lisboa, 12 out 2018 (Ecclesia) – O missionário da Consolata Albino Brás afirma que, se D. Óscar Romero fosse vivo, “estaria a fazer o mesmo tipo de denúncias contra a opressão do povo, a dizer que esta economia mata, a falar contra o tráfico humano”.

“Os pobres eram o lugar teológico de Romero. A centralidade de Cristo na pessoa do pobre, aquele que está mais longe dos centros de poder e decisão, os que não têm voz nem vez. O papa Francisco segue a mesma linha. É a perspetiva eclesial do Concilio Vaticano II”, refere o padre Albino Brás, que aprendeu a ver no futuro santo um profeta e um companheiro na sua permanência, durante oito anos, nas favelas do Rio de Janeiro.

Do trabalho pastoral que o manteve no Brasil, o missionário recorda a “pressão por parte do narcotráfico e do poder político”, mas também o que Óscar Romero “sofreu com as  injustiças e com a opressão do povo pela junta militar e pela ditadura”.

“Isso inspirou-me muito”, assinala, enfatizando que o arcebispo de El salvador é “santo para a Igreja, não apenas para a América latina”.

A figura de Óscar Romero foi eleita para ser patrono dos missionários da Consolata durante o ano de 2018, antes ainda de ser conhecida a sua canonização, porque, acredita o padre Albino Brás, o seu exemplo e testemunho são para a missão da Igreja uma “enorme dimensão profética”.

“O grande profeta é aquele que denuncia mas também anuncia uma realidade nova, não fica pela denúncia. Óscar Romero deu credibilidade ao Evangelho: deixou de ser o Evangelho da sacristia, dos rituais, da pastoral de pouco impacto. Ele era muito atento e sensível aos direitos humanos e à situação do povo”.

O missionário da Consolata encontra “características comuns” entre Óscar Romero e o Papa Francisco: “a simplicidade, uma forte espiritualidade, uma grande paixão pelo Evangelho, atenção aos pobres, aos últimos e mais injustiçados”.

D. Óscar Romero e o Papa Paulo VI vão ser canonizadas pelo Papa Francisco no próximo domingo; o programa 70×7 desse dia e o programa na Antena 1 mostram testemunhos da vida e obra destas duas figuras da Igreja.

LS

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