Presidente da Cáritas Portuguesa elogia gesto do Papa Francisco de canonizar o arcebispo de El Salvador e o Papa Paulo VI

Lisboa, 12 out 2018 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa afirmou que D. Óscar Romero, patrono da instituição de ação social da Igreja Católica, desafia a “estar com os pobres”, “assistindo e denunciando”.

“O fundamento da existência da instituição é dar dignidade e vida àqueles que a perderam e estão fragilizados na sociedade. Por outro lado, não basta responder a essas necessidades. Óscar Romero ia pelos bairros pobres e ajudava a colmatar dificuldades, mas sabia que só isso não bastava. Ele tinha que denunciar as causas e por isso não se peça só à Cáritas que tenha uma dimensão assistencial”, explica Eugénio Fonseca à Agência ECCLESIA.

O responsável disse ainda que se espera que a instituição “dê a vida pelos pobres”.

Não se pede o que se pediu a Óscar Romero. A partir de certa altura, ele percebeu – como Jesus percebeu – que o regime o ia aniquilar. Na Cáritas não se pede isto, mas dar a vida é dar o tempo, é cansar-me. Como diz Madre Teresa: amar até fazer doer. É isto que Óscar Romero nos ensina”.

D. Óscar Romero, arcebispo de El Salvador, foi morto pela junta militar do seu país no dia 24 de março de 1980 quando celebrava missa no hospital da capital do país.

Eugénio Fonseca recorda uma fotografia do momento do assassinato que o impressionou “muito” mas que o ajudou a ligar-se à vida do futuro santo.

Nunca mais esqueço uma fotografia que mostra que, depois do corpo do bispo ter sido levado numa furgoneta para o hospital, uma religiosa limpou o sangue derramado junto ao altar, com a toalha do altar. Nada acontece por acaso”.

O presidente da Cáritas Portuguesa destaca o percurso do arcebispo convertido pelos pobres.

“Quem evangelizou Óscar Romero foram os pobres, a sua vida. Óscar converteu-se aos pobres”, recorda.

“Na homilia faz-se política. No sentido autêntico da palavra. Defende-se a cidade e as pessoas. Se fazer política é defender a polis que nenhum celebrante tenha receio e que melhor auxilio que a palavra de Deus podemos ter para dizer que hoje, no concreto desta vida, com estes problemas bons e maus, a palavra de Deus continua atual e válida”, acrescenta.

Para Eugénio Fonseca, as canonizações de D. Óscar Romero e do Papa Paulo VI têm em comum “o sofrimento”.

Paulo VI não teve um martírio de uma arma disparada mas foi um mártir pela adversidade que enfrentou na aceitação do Concílio Vaticano II. Já Paulo VI dizia: «os homens hoje não precisam de mestres; eles querem testemunhas e só validam o ensinamento dos mestres na medida em que forem capazes de testemunhar o que ensinam». E então temos aqui Óscar Romero que conciliava a palavra com a vida”.

O presidente da Cáritas Portuguesa afirma que compete a cada cristão mostrar que a mudança mundial é possível, pois homens como D. Óscar Romero e Paulo VI mostraram que tudo não ficou na mesma.

“Houve gente que sonhou um mundo diferente, deu a vida para marcar essa diferença. E não podemos dizer que ficou tudo na mesma: El Salvador seria hoje igual ao tempo de Óscar Romero se ele não tivesse dado a vida? Sem medo? Não”, conclui.

D. Óscar Romero e o Papa Paulo VI vão ser canonizadas pelo Papa Francisco no próximo domingo; o programa 70×7  e o programa ECCLESIA na Antena 1 mostram testemunhos da vida e obra destas duas figuras da Igreja.

LS

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