Organização católica promove semana nacional de sensibilização

Beja, 10 jun 2018 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Beja decidiu chamar a atenção para a causa dos imigrantes e refugiados nesta região do país, através de um “círculo de silêncio” levado a cabo em pleno centro da cidade.

À Cáritas juntaram-se muitos cidadãos anónimos que decidiram manifestar a sua solidariedade por esta causa, mas também instituições como a Câmara Municipal, o Núcleo de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza, Santa Casa da Misericórdia e Associação para Apoio à Integração dos Imigrantes.

A iniciativa enquadrou-se na Campanha “Partilhar a Viagem”, lançada pelo Papa Francisco e que decorre até ao ano de 2019, com o principal objetivo de promover a cultura do encontro entre migrantes, refugiados e as comunidades locais para um melhor entendimento, compreensão, empatia e solidariedade.

A Cáritas diocesana de Beja antecipou a Semana de Ação Conjunta que se inicia hoje, a nível nacional, e que procura dar uma visibilidade especial a esta campanha em defesa do migrantes e refugiados.

O “círculo de silêncio” congregou um número significativo de migrantes e refugiados que se encontram a residir na região.

Isaurindo Oliveira, presidente da Cáritas diocesana de Beja, assinala que iniciativas como esta são necessárias num momento em que o Alentejo está a registar um aumento significativo no número de imigrantes.

“Estamos a registar problemas ao nível da habitação, da integração das crianças, há também a dificuldade da língua”, adverte o responsável, para quem a situação mais grave é representada pelas “máfias ligadas a empresas de serviços que fornecem trabalhadores às explorações agrícolas e que os próprios agricultores desconhecem”.

Isaurindo Oliveira sustenta que o trabalho a desenvolver deve implicar várias instituições, como aconteceu com a Misericórdia de Beja.

João Paulo Ramôa, provedor desta instituição e antigo governador civil, considera que o crescimento das migrações “não é um problema, é uma oportunidade”.

A Misericórdia de Beja acolheu de imediato famílias de refugiados e colocou-os no centro da cidade: “Queremos que se enraízem; se gostarem de nós e tiverem oportunidades ficarão connosco e isso é bom”.

Este responsável recorda que Portugal está a perder população e precisa de contrariar esta tendência.

“Vamos pensar em políticas para atrair gente que é do mundo inteiro… que encontra aqui um espaço para trabalhar, para viver com as suas famílias… isso é determinante para a sustentabilidade do nosso país tal como o conhecemos”, apela João Paulo Ramôa.

Todo este esforço é fundamental por parte das instituições locais, mas “insuficiente se por parte do Estado não se criar celeridade a regularizar quem chega”, adverte Alberto Matos, da Associação “Solidariedade imigrante”.

“Há muita gente a ganhar milhões com a situação, sem documentos ninguém pode reclamar nem denunciar a exploração de que é vítima”, denuncia.

Souleymane Cissé, guineense, está em Beja há cinco anos e tem a sua situação regularizada, mas muitos dos seus compatriotas estão ainda ilegais.

Aderiu a esta iniciativa pública do “círculo de silêncio” para “mostrar a gratidão” pela forma como foi acolhido.

“Ter documentos é como existir, ter direitos e deveres, sentimo-nos mais participativos e responsáveis”, testemunha.

Os Círculos de Silêncio nasceram em França, em 2007, numa iniciativa dos irmãos franciscanos, para denunciar situações de injustiça e dar voz aos mais frágeis.

Em Beja foi a forma escolhida pela Cáritas diocesana, a 30 de maio, para se associar à Campanha “Partilhar a Viagem” e que quer chamar a atenção para os abusos e exploração de que são vítimas os migrantes e refugiados.

HM/OC

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