Lisboa, 27 fev 2018 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa considerou “incontornável” escolher o tema ‘Uma só família humana, cuidar da casa comum’ para a Semana Nacional da organização católica, em 2018, pelo alertando para um planeta que tem “em perigo” a sua sobrevivência”.

“Agora temos [situações] onde a água não chega para todos e já não estamos no plano teórico, estamos no plano prático”, adverte Eugénio Fonseca, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O responsável pela organização católica explica que a Cáritas realiza a sua missão “numa preocupação de ação transformadora”, por isso, “compete-lhe” colaborar com todos os que estão a ver os problemas, “os olham de frente, para que transformem as realidades”.

“Enquanto não tomarmos consciência que somos uma só família, dificilmente haverá preocupações em cuidar da casa que é de todos”, acrescenta.

O presidente da Cáritas Portuguesa realça que, quando existem problemas ecológicos – como “cheias, abalos de terra, alterações climáticas anormais” -, quem sofre são os mais pobres, porque “têm condições de habitabilidade mais fracas, saúde mais débil, capacidade menor de autodefender”.

Eugénio Fonseca recordou que o Papa Francisco, na encíclica ‘Laudato Si’, apresenta o “conceito novo” da “ecologia integral” que engloba os “princípios orientadores” da Cáritas.

O responsável foi reconduzido como presidente da Cáritas Portuguesa para o triénio 2017-2020 pelo Conselho Permanente da Conferência Episcopal.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. José Traquina, mobilizou a Cáritas a ser um observatório realidade social e, neste âmbito, o presidente da organização católica recorda o princípio metodológico que nasceu na Igreja e passou para a sociedade do “ver, julgar e agir”.

“Estamos mais potenciados muitas vezes para agir e, porque não vimos bem, não equacionamos bem, não agimos bem”, analisa Eugénio Fonseca.

A instituição presente em 20 dioceses portuguesas e diversas realidades paroquiais através das comunidades cristãs pode “dar um contributo extraordinário à sociedade portuguesa”, sendo “mais realista” do que aquilo que “é a verdade da convivência comum” nestes problemas.

A Cáritas Portuguesa contabilizou menos 7% de pessoas a recorrerem aos seus serviços do que em 2016, mas esse dado não significa que “o esforço tivesse diminuído”, mesmo num país que “mudou em termos económico-financeiros”, porque “há pessoas que encontraram trabalho” mas o “salário não é suficiente para os encargos” devido ao seu sobre-endividamento.

“Muitas pessoas não têm capacidade de refletir as consequências das seduções que são feitas, o Governo devia criar no setor do credito fácil um controlo mais apertado”, refere Eugénio Fonseca.

No âmbito da Semana Nacional Cáritas 2018, que termina este domingo, a partir desta quinta-feira realiza-se o peditório público nas várias localidades portuguesas.

Ainda no âmbito da semana especial, foi apresentado hoje, em Lisboa, o relatório ‘Os jovens na Europa precisam de um Futuro’, com “problemas e soluções”, um trabalho realizado em conjunto por vários países sob orientação da Cáritas Europa.

O presidente da Cáritas Portuguesa explica que os responsáveis incluíram “dados oficiais, testemunhos de jovens” e a preocupação de existir uma “grande quantidade de jovens que não estudam, não trabalham, não têm ocupação”.

HM/CB/OC

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