D. Diarmuid Martin abordou em Roma os 25 anos da Fundação pontifícia criada a partir da encíclica de João Paulo II

Cidade do Vaticano, 19 abr 2018 (Ecclesia) – Quase três décadas depois da publicação da encíclica ‘Centesimus Annus’, do Papa João Paulo II, as interpelações da Igreja Católica em áreas como a economia e o bem-comum ainda estão longe de encontrar eco no mundo.

A frase foi dita por D. Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin (Irlanda) e um dos responsáveis católicos que esteve envolvido na elaboração do referido documento em 1991, que se referiu à transmissão da Doutrina Social da Igreja, neste caso de uma economia ao serviço do bem-comum, como um “trabalho ainda em curso” no meio da sociedade.

O prelado irlandês, antigo membro do Conselho Pontifício Justiça e Paz, foi um dos oradores, esta quarta-feira em Roma, de uma conferência de imprensa dedicada aos 25 anos da Fundação ‘Centesimus Annus’.

Um organismo da Santa Sé criado com o objetivo de refletir sobre as transformações e desafios sociais decorrentes da atual economia global.

D. Diarmuid Martin destacou problemas que emergiram desde o lançamento do documento e da fundação, como “o crescimento das desigualdades económicas e dos níveis de corrupção”.

O arcebispo referiu que depois da queda dos regimes comunistas, no final da Guerra Fria, as expetativas “foram demasiado altas no que toca ao “desenvolvimento económico” desses países.

Pelo contrário, “muitos dos atuais problemas de corrupção começaram a surgir a partir desta altura, com o comércio de armas e o tráfico de droga e de seres humanos”, apontou.

Neste contexto, D. Diarmuid Martin sublinhou a necessidade de uma “reflecção cuidada”, envolvendo as ciências sociais e a Doutrina Social da Igreja, também as universidades, na busca de novos “caminhos” de “aplicação” dos princípios humanistas defendidos pela encíclica ‘Centesimus Annus’.

Princípios que foram reforçados há bem pouco tempo pela encíclica ‘Laudato si – Cuidado pela Casa Comum’, do Papa Francisco.

A Fundação ‘Centesimus Annus’ está a preparar uma conferência internacional em Roma, entre 24 e 26 de maio, sobre ‘Novas políticas e estilos de vida na Era Digital’.

Um evento que contará com a participação do patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, que fará a conferência ‘Uma agenda cristã comum rumo ao bem-comum’.

JCP

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