Paulo Rocha, Agência ECCLESIA

Não é necessário estimular extraordinariamente a curiosidade para tentar perceber como terá acontecido o nascimento de Jesus no ambiente de uma cidade, Belém, sem lugares para quem chegava, por ocasião de um recenseamento em todo o Império Romano. Relegado para um sítio ermo, numa gruta, Jesus nasceu em dias de ocupação máxima na região. A condição da sua encarnação deu-se, assim, desde o primeiro momento entre periferias, próximo da pobreza e distante de ritmos soberbos do quotidiano.

Como há dois mil anos, quando não foi possível encontrar um lugar para Aquele que estava a chegar no primeiro Natal, nesta quadra perece também não ser possível celebrá-lo. E pelos mesmos motivos: está tudo cheio, nos supermercados, lojas, ruas, casas, corações… Até os parques de estacionamento ficam completos e impedem que se procure o “indispensável” para que se celebre dignamente o Natal: é necessário encontrar os sabores da mesa que “fazem” cada Natal e são muitas as filas dos supermercados; programam-se encontros à volta de trocas de prendas e tardam os embrulhos nas esquinas comerciais; há sempre uma compra de última hora e o trânsito impede que se chegue a horas, as filas geram impaciência, pânico até!

E como no início da era cristã, quando tudo aconteceu no escondimento, entre pastores e visitantes vindos de longe, o Natal em cada era emerge, por certo, longe da azáfama com que se vive, em recantos escondidos, no silêncio de mulheres e homens.

Hoje, como há dois mil anos, é real o risco de colocarmos à entrada de casas e corações a indicação “completo”. Depois, é necessário procurar as grutas deste tempo e deixar-se guiar por uma estrela para O encontrar. E hoje felizmente há muitas! Também entre ornamentos e luzes de dias "mágicos", em cada ano. Porque tudo, afinal, é uma referência do Natal. Mesmo para quem sabe o não o diz e também para todos os que não o sabem. Feliz Natal!

Paulo Rocha

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