Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique foi a distinção atribuída a título póstumo por Marcelo Rebelo de Sousa, no encerramento do congresso «Repensar Portugal, a Europa e a Globalização»

Foto Agência ECCLESIA/LFS, condecoração do padre Manuel Antunes com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique

Lisboa, 06 nov 2018 (Ecclesia) – O presidente da República agraciou hoje a título póstumo o padre Manuel Antunes com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique no encerramento do Congresso que assinalou o centenário do nascimento do “professor íntegro profundo”.

“Evocá-lo é celebrar o seu contributo singular e renovadamente o reconhecer, desta feita com um novo galardão: a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na Fundação Calouste Gulbenkian, onde decorreu a ultima fase do congresso.

Na sessão de encerramento do congresso sobre o padre Manuel Antunes, o presidente da Republica lembrou que o jesuíta viveu a “transição drástica” do pós 1974, conheceu as “primícias da democracia” e lamentou a falta que fez a Portugal não ter estado “mais tempo” no regime democrático.

“Como teria sido este homem se tivesse mais tempo após 1974, se tivesse chegado a esse novo tempo com mais tempo para se afirmar?”, interrogou.

O presidente da República denunciou o fim do ensino da cultura clássica nos curricula pré-universitários e o “vazio no debate intelectual” a que se chegou, “cá dentro e lá fora”, com “omissões de racionalidade” e “superficialidade de vivência coletiva”.

Marcelo lembrou a “dúzia de aulas” que assistiu do padre Manuel Antunes e a dificuldade em encontrar “um lugar vazio no anfiteatro 1” da Faculdade de Letras, onde encontravam o “vulto vestido de preto, com cabeção, impecável no porte”.

“As aulas passavam a um ritmo alucinante, apetecia ficar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, sustentando que o padre Manuel Antunes era “um clássico a cuidar de clássicos”.

“O seu magistério teve um alcance que superava a fronteira dos crentes”, acrescentou.

Para o presidente da Republica, o padre Manuel Antunes é uma “referência excecional”, um “encicplopedista insaciável”, “professor íntegro, profundo, envolvente, carismático”, um “ser humano completo na unidade do seu ser e na coerência do seu existir”.

O congresso ‘Repensar Portugal, a Europa e a Globalização’, dedicado ao centenário do nascimento do padre Manuel Antunes, decorreu em Lisboa e na Sertã entre os dias 2 e 6 de novembro.

O padre Manuel Antunes nasceu na Sertã a 3 de novembro de 1918; foi ordenado padre a 15 de julho de 1949, pelo bispo de Guadix, D. Rafael Alvarez de Lara.

Em 1955, rumou a Lisboa para integrar a redação da revista Brotéria, que viria a dirigir entre 1965 e 1982; como professor, marcou várias gerações de estudantes na Faculdade de Letras.

Em 1981 recebeu o título de doutor ‘Honoris Causa’ da Faculdade de Letras de Lisboa; em 1983, nas comemorações do 10 de junho, o então presidente da República Ramalho Eanes conferiu-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

A Igreja Católica, através do seu Secretariado Nacional para a Pastoral da Cultura, atribui anualmente um prémio com o nome ‘Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes’, para destacar um percurso ou obra que refletem o humanismo e a experiência cristã.

PR

 

 

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