Lisboa, 17 nov 2018 (Ecclesia) – Vitor Barbuda e Mário Manco, da Associação “O Companheiro”, estiveram com o Papa, por ocasião do Jubileu da Misericórdia, e recordam o olhar, o aperto de mão e os arrepios sentidos.

Vitor Barbuda tem 42 anos e ainda vive no Companheiro, recorda bem o dia em que lhe foi feito o convite.

“Cheguei do trabalho e perguntaram-me se queria ir a Roma… um convite do Papa? Não acreditei”. Ao estar em Roma o ex-recluso sentiu “um arrepio e olhei para mim pensei: olha para onde Deus me trouxe”.

Vitor Barbuda foi um dos privilegiados que esteve perto de Francisco e viu que o Papa estava ali para “escutar e estar de perto com os problemas que o Mundo tem e com as pessoas que sofrem na pele, sem intermediários”.

“Apertei a mão ao Papa, ele sorriu e perguntei-me porque é que ele sorriu… não disse nada, foi só o olhar e até fiquei arrepiado”, confessa.

Por seu lado, Mário Manco estava no Companheiro quando lhe foi feito um convite que o tocou.

“Tinha de ir bem vestido, fui o único que fui de fato, estive próximo, falei em português na missa, não é todos os dias que se está ao pé do Papa”, contou.

Mário Manco esteve detido mais de 14 anos, em Vale dos Judeus, um “alcoólico assumido”, que encontrou no Companheiro “uma tábua de salvação”.

“Quando saí se não tivesse para onde ir, estava na rua, aí num canto qualquer ou tinha morrido; foi uma tábua de salvação, encontrei apoio; dou-me bem com todas as pessoas e venho cá muitas vezes; nunca hei-de virar as costas ao Companheiro”, prometeu.

“O Companheiro”, situado em Lisboa há 31 anos, é uma instituição que ajuda na inserção social de pessoas reclusas e ex-reclusas, foi uma das instituições convidadas pela Cáritas para ir até Roma, há dois anos, ao encontro com o Papa Francisco.

Dois anos depois deste encontro Mário Manco conseguiu a sua autonomia, trabalha e vive sozinho, tem mesmo “de gerir o dinheiro” e tem uma “horta para cultivar umas coisas”.

Já Vitor Barbuda, depois de ultrapassado o problema de alcoolismo, sonha em sair da instituição.

“Quero ter uma vida melhor, o meu espaço, ter uma família, ter aquilo que as pessoas normais têm…”, disse.

O auditório Paulo VI vai receber este domingo mais de 3 mil convidados do Papa, para um almoço que assinala o II Dia Mundial dos Pobres, após a Missa na Basílica de São Pedro.

A iniciativa nasceu no final do Jubileu da Misericórdia, por vontade de Francisco.

À imagem do que aconteceu em 2017, o Papa vai sentar-se à mesa com os pobres, um gesto que se vai repetir em refeitórios de muitas paróquias, universidades, organizações assistenciais e associações de voluntariado que aderiram à iniciativa.

O Vaticano alberga ainda, ao longo desta semana, uma unidade móvel de saúde, com atendimento gratuito para pessoas necessitadas, na Praça de São Pedro, incluindo consultas de medicina geral, cardiologia, infeciologia, ginecologia e obstetrícia, podologia, dermatologia, reumatologia, oftalmologia e um laboratório de análises clínicas.

A celebração do Dia Mundial dos Pobres vai estar no centro da emissão do programa ECCLESIA, este domingo, na Antena 1 da rádio pública, a partir das 06h00.

LS/SN

 

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