Instituição de Solidariedade, em Chelas, combate esquecimento dos mais necessitados

Lisboa, 17 nov 2018 (Ecclesia) – O Centro Social Paroquial S. Maximiliano Kolbe, em Chelas, Patriarcado de Lisboa, mantém viva a memória de um encontro histórico com o Papa Francisco, em 2016, que está na génese do Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja celebra este domingo.

Helena Barreto é catequista e voluntária no centro social, tendo acompanhado o grupo que há dois anos, por ocasião do Jubileu da Misericórdia, foi ao encontro do Papa Francisco no Vaticano, recordando alguém que “fala com o coração”.

Para a professora, iniciativas como o II Dia Mundial dos Pobres representam “um apelo social, muito para além da Igreja”, e um convite por uma vida de “encontro ao outro”.

“Será que a pobreza é apenas o sem-abrigo, será só o marginalizado, ou será que a pobreza está também dentro de nós?”, questiona.

Elsa Vicente, diretora técnica do Centro Social Paroquial S. Maximiliano Kolbe, também esteve no Vaticano, em 2016, e evoca “um momento inesquecível, indescritível, de um valor humano único”.

A disponibilidade do Papa Francisco em olhar para os pobres, em concreto, serve como inspiração num trabalho muitas vezes marcado por regras e normas.

“Trabalhar com o ser humano, um ser humano fragilizado, um ser humano que precisa de colo, que precisa de ouvir uma palavra no momento certo, não se coaduna com aquilo que, depois, a sociedade nos impõe. Nós, todos os dias, aqui nesta instituição, acompanhamos famílias em situação crítica, muitas das vezes, e de facto não podemos dizer a estas famílias: eu vou atendê-la daqui a uma semana”, sustenta Elsa Vicente.

Ricardo Fonseca, de 42 anos, foi escolhido para ir a Roma, ver o Papa, há dois anos, um momento que ainda o deixa espantado.

 Olhe, significado… Eu parecia que estava a ver uma pessoa igual a mim. Foi o mais engraçado, a fé foi em minha casa, sozinho. Aí é que eu tenho muita fé. E o Papa Francisco, para mim, é o meu Papa. Essa resposta tive-a também em minha casa, entendeu? São coisas fora do vulgar, coisas que o ser humano comum não sabe respostas”

O auditório Paulo VI vai receber este domingo mais de 3 mil convidados do Papa, para um almoço que assinala o II Dia Mundial dos Pobres, após a Missa na Basílica de São Pedro.

A iniciativa nasceu no final do Jubileu da Misericórdia, por vontade de Francisco.

À imagem do que aconteceu em 2017, o Papa vai sentar-se à mesa com os pobres, um gesto que se vai repetir em refeitórios de muitas paróquias, universidades, organizações assistenciais e associações de voluntariado que aderiram à iniciativa.

O Vaticano alberga ainda, ao longo desta semana, uma unidade móvel de saúde, com atendimento gratuito para pessoas necessitadas, na Praça de São Pedro, incluindo consultas de medicina geral, cardiologia, infeciologia, ginecologia e obstetrícia, podologia, dermatologia, reumatologia, oftalmologia e um laboratório de análises clínicas.

A celebração do Dia Mundial dos Pobres vai estar no centro da emissão do programa ECCLESIA, este domingo, na Antena 1 da rádio pública, a partir das 06h00.

LS/OC

Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial dos Pobres

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