Professora alerta para a situação de muitos meninos e meninas que hoje ainda vivem privadas dos direitos mais básicos

Lisboa, 20 nov 2018 (Ecclesia) – A professora Helena Barreto, que tem dedicado vários projetos ao estudo da integração social de crianças, destaca a importância de as escolas privilegiarem mais a parte afetiva da relação, sobretudo quando estão em causa alunos de contextos mais desfavorecidos.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, no âmbito do Dia Internacional dos Direitos das Crianças, que se assinala hoje, a docente sublinha que o primeiro “currículo” que os professores devem trabalhar com as crianças é “eu estou cá para ti, eu acredito em ti, tu és capaz”.

Helena Barreto realça ainda que apesar de a Declaração dos Direitos das Crianças ter sido proclamada a 20 de novembro de 1959, e a Convenção dos Direitos da Criança ter sido adotada em 1989, ainda existem hoje “muitas crianças” que “nem sabem da existência dos direitos”.

Meninos e meninas que estão “entregues a elas próprias, que crescem sozinhas, sem ajuda, sem o direito muitas vezes a dizer mãe e pai”.

“Eu tenho-me deparado com situações tão especiais que às vezes me levam a refletir sobre se estas crianças estão mesmo a usufruir dos direitos básicos, como o direito à educação, a aprender, o direito a brincar, acima de tudo o direito à liberdade”, assinala a professora, que defende um maior cuidado do sistema educativo a estas questões.

Para que os docentes, antes de entrarem na parte curricular propriamente dita, tenham tempo para perceber a realidade de cada criança que têm à sua frente, os seus problemas e dificuldades, a sua história, e sobretudo transmitir-lhes o “afeto” de que precisam, para que elas saibam que “têm direito” a isso.

“Eu como professora que tenho que cumprir currículo também, todos os anos faço esta reflexão e deparo-me com esta questão”, admite Helena Barreto, para quem “não há educação sem afeto”.

“Quando integro uma turma, independentemente do tempo que ficar por lá, a minha preocupação é olhar para a criança e caminhar com ela”, acrescentou.

A Convenção sobre os Direitos da Criança foi adotada há 26 anos, no dia 20 de novembro, e para comemorar esta data a UNICEF criou o Dia Internacional dos Direitos da Criança, repleto de ações solidárias, com vista a contribuir para o respeito dos direitos de todas as crianças, em todo o mundo.

“Muitas vezes as crianças procuram na escola a afetividade que não existe em casa”, lamenta a professora Helena Barreto.

A entrevista à docente, no âmbito do Dia Internacional dos Direitos da Criança que se assinala esta terça-feira, pode ser acompanhada esta tarde, a partir das 15h00, no Programa ECCLESIA na RTP2.

JCP

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