Bispo do Porto e diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil destacam importância da experiência de oração

Madrid, 01 jan 2019 (Ecclesia) – Os jovens portugueses que passaram o ano com momentos de festa e oração na capital espanhola, no Encontro Europeu promovido pela comunidade ecuménica de Taizé, iniciam hoje o regresso a casa, com uma mensagem de valorização da fé e da hospitalidade.

D. Manuel Linda, bispo do Porto, disse à Agência ECCLESIA em Madrid que esta iniciativa permite “congregar pessoas da mesma fé” e dar-lhes visibilidade, num tempo em que se sente “indiferença” e mesmo “hostilidade” em relação às convicções religiosas

“Os jovens, ao verem outros jovens de todos os países da Europa, também se sentem entusiasmados”, observou, após ter participado num momento de oração com os jovens portugueses.

Para o responsável, momentos como este, levados a cabo com a ajuda voluntária de centenas de famílias e paróquias, permitem uma vivência concreta da “hospitalidade”.

“Aqui não há uma reflexão teórica sobre o acolhimento ou a hospitalidade, mas há uma prática que fala muito mais do que todas as palavras poderiam”, precisou.

Ou somos hóspedes, hospedadores, ou somos hostis uns para os outros. E oxalá fôssemos todos hospedadores”.

O bispo do Porto elogiou ainda a fé que se transforma “em vida e em oração”, não apenas intelectualizada.

“Estes encontros de Taizé, ao insistirem fundamentalmente na oração, entranham-se muito mais na fé”, explicou.

Para D. Manuel Linda, os jovens “vivem com naturalidade este facto do ecumenismo”, como acontece na Diocese do Porto.

O responsável falou “com alegria” da presença de jovens católicos do território, a que se somaram delegações da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana) e Presbiteriana.

“Dou-me muito bem com os líderes destas duas Igrejas”, admitiu D. Manuel Linda.

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Já o padre Filipe Diniz, diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), quis realçar o “sentido do encontro” nos jovens, que permite “o diálogo, a partilha” entre todos.

O sacerdote saudou estes encontros europeus, que permitem “partilhar a fé em Jesus Cristo”, com diversas perspetivas e vivências.

“A comunidade de Taizé tem esta habilidade de saber tocar e saber falar, e ajudar a saber falar”, referiu à Agência ECCLESIA.

O diretor do DNPJ valorizou a “dimensão orante” presente nestas iniciativas e a “particularidade bonita” de se poder partilhar a fé em Jesus Cristo com membros de outras Igrejas cristãs, encontrando “formas de agir”, em comum.

15 mil jovens de vários países passaram de ano em Madrid, num encontro que faz parte da “peregrinação de confiança através da terra” promovida pela comunidade ecuménica de Taizé há 40 anos, com momentos de oração nas paróquias da cidade de acolhimento e reflexão em temas como o diálogo entre povos, a paz, a fé e o compromisso social.

O prior da comunidade, irmão Alois, disse na sua última reflexão que é necessário rezar “pela paz e pela justiça, pois não existem uma sem a outra”, e trabalhar para “diminuir o abismo entre ricos e pobres”.

No final de um encontro dedicado ao tema da hospitalidade, o responsável destacou a “urgência” do o acolhimento de imigrantes e refugiados, procurando oferecer-lhes “mais segurança e justiça”.

O irmão Alois manifestou ainda preocupação com a degradação do meio ambiente e a exploração dos recursos naturais, “pelas diferentes formas de poluição e pela perda de biodiversidade”.

“Estes três compromissos, entre outros possíveis, são muito mais do que um imperativo moral. Se os levarmos a sério, e a eles nos dedicarmos, a nossa própria vida pode encontrar um sentido”, disse aos participantes.

O próximo Encontro Europeu de Jovens vai decorrer na cidade polaca de Wroclaw, no final de 2019.

CB/OC

Partilhar:
Share