Irmão Alois explica à Agência ECCLESIA importância do tema da «hospitalidade» que reúne jovens de toda a Europa na passagem de ano, em Madrid

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Madrid, 30 dez 2018 (Ecclesia) – O prior da comunidade ecuménica de Taizé disse à Agência ECCLESIA, em Madrid, que é necessária uma globalização mais “humana”, que supere a fixação na vertente económica e financeira.

“Não partilhamos verdadeiramente as nossas culturas, não ouvimos realmente os outros. Só queremos vencer, neste mundo globalizado, queremos ganhar alguma coisa, mas não descobrimos a riqueza dos outros”, referiu o irmão Alois, durante o 41.º Encontro Europeu de Jovens, que decorre até 1 de janeiro de 2019, na capital espanhola.

A iniciativa promovida anualmente pela comunidade ecuménica tem como tema ‘Não nos esqueçamos da hospitalidade’, reunindo milhares de jovens de vários países, incluindo centenas de portugueses.

“Queremos falar mais sobre a hospitalidade porque é um valor humano que se está a tornar muito importante”, precisou o prior de Taizé.

O irmão Alois contesta uma globalização que acontece a nível económico e financeiro, mas não tanto a “nível humano”.

A proposta da comunidade ecuménica, num mundo cada vez mais tecnológico, passa também por momentos de oração que são replicados em centenas de igrejas e comunidades cristãs.

O prior e outros monges da comunidade ecuménica vão marcar presença na próxima Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, em janeiro de 2019, para “rezar com as pessoas”.

“É verdade que os jovens de hoje estão muito ocupados com muitas coisas, os momentos de oração mostram que a vida é muito maior do que o que fazemos, que planeamos, comunicamos. A vida é muito maior”, sustenta.

O entrevistado evoca ainda a experiência “muito forte” do Sínodo que decorreu em outubro, no Vaticano, esperando que a Igreja Católica “se aproxime realmente dos jovens, que os responsáveis da Igreja se tornem mais próximos”, ouvindo as novas gerações.

“Podemos fazer mais, tornando-nos mais simples, mostrando que o ministério, que a autoridade na Igreja é um ministério de serviço à humanidade, para que as pessoas sejam mais humanas”, aponta.

O irmão Alois insiste que é preciso dizer aos jovens que “há algo para além da tecnologia” e que essa atenção ao que está “para lá” abre as portas à “presença de Deus”.

Entre as questões abordadas em Madrid tem estado o desafio das migrações na Europa, que é “muito difícil”, admite o responsável, para quem é preciso “aprender a hospitalidade, o diálogo, o contacto pessoal” para encontrar soluções.

O prior de Taizé recorda que na localidade francesa foram acolhidos refugiados do Sudão.

“Também recebemos algo de quem chega até nós, os nossos horizontes alargam-se”, testemunha.

170 paróquias e milhares de famílias abriram as portas aos jovens que participam no Encontro Europeu; as igrejas do centro da capital espanhola acolhem os encontros de oração comum ao meio-dia e, à tarde, os encontros realizam-se nos salões da Feira de Madrid.

O prior de Taizé sublinha que a hospitalidade é “um valor do Evangelho”, que inspira esta etapa da chamada “Peregrinação de Confiança através da terra” que é promovida pela comunidade ecuménica para ajudar todos a “descobrir a confiança de Deus” em cada ser humano.

“Confiar na vida, no futuro, na beleza da vida. Isso falta, hoje em dia, temos medo do futuro, dos outros”, precisa.

Um dos momentos marcantes do encontro é a passagem de ano, num programa que inclui um piquenique partilhado e distribuição de chá quente; a oração comunitária nas igrejas do centro da cidade; e uma vigília de oração pela paz no mundo, seguida por uma “festa dos povos” na paróquia de acolhimento dos vários participantes.

CB/OC

Partilhar:
Share