Paulo Rocha

Uma reunião de bispos no Vaticano e um encontro de pais, no Campo Grande, em Lisboa. Duas salas, bem diferentes, para diálogos com objetivos específicos e conversas que se cruzam por terem em comum o mesmo foco: os jovens.

No Vaticano, a Igreja Católica está a promover uma reunião de representantes dos episcopados de todo o mundo para dialogar sobre os jovens e a vocação. “Acompanhar o jovem no seu caminho existencial em direção à maturidade” é o propósito desta reunião. Assim o expressou o Papa, quando convocou a 15ª Assembleia Sinodal, há um ano. Talvez por isso, e sobretudo pela determinação e exemplo do Papa Francisco, o ponto de partida foi escutar os jovens, as suas opiniões, sonhos, problemas e dificuldades. Com diferentes ferramentas, sendo a mais relevante, talvez, a realização da reunião pré-sinodal, em março deste ano, entre três centenas de jovens de todo o mundo. Essa auscultação chegou a milhares de jovens, milhões, mesmo, se tivermos em conta a escala que cada acontecimento pode ter tido, assim como as opiniões e partilhas que aconteceram pelas redes sociais. Números expressivos, que provocam as lideranças católicas na procura de linguagens e projetos que aproximem a juventude das estruturas eclesiais; mas estatisticamente pouco relevantes, se compararmos com grupos que seguem ídolos do presente, em constante mutação, e “gostos” das camadas juvenis em qualquer instante de uma estrela da bola, da música ou do cinema. De facto, as novas gerações participam, geram grupos, fazem comunidade, têm no seguimento uma prática do quotidiano.

No Campo Grande, a reunião entre algumas dezenas de pais aconteceu também por causa das novas gerações, no lançamento de um ano de atividades dirigidas a três centenas de jovens. Neste caso, não é uma reunião de um mês, como a pré-sinodal, mas de encontros semanais, ao longo de um ano, para avançar num itinerário formativo proposto pelas Missionárias Verbum Dei e 50 animadores. Na apresentação do projeto, a sintonia com as causas que levaram o Papa a convocar o Sínodo dos Bispos foi evidente: o objetivo de reuniões semanais dos “grupos”, como são chamados, é descobrir “uma marca” em cada jovem que possa ser o ponto de partida para a descoberta de um sentido para a sua vida, de uma vocação, tendo por horizonte um encontro, sem data marcada: o que acontece com Jesus. Com esta metodologia, que se distancia de qualquer prática terapêutica ou consulta de âmbito psicológico e muito menos parte da verticalidade de um pressuposto moralista ou normativo, a proposta dirigida aos jovens no Campo Grande tem um problema: não consegue acolher todos os que pretendem percorrer o itinerário formativo dos “grupos”.

O Papa Francisco deseja que o diálogo com os jovens aconteça sem preconceitos e tenha por origem a história de vida de cada rapariga e de cada rapaz. Felizmente, essa metodologia acontece em muitas dinâmicas juvenis, como na Paróquia do Campo Grande. “Só” é necessário que essa marca se transforme em matriz na relação com todos os jovens.

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