Fernando Moita afirma que querem «tornar a interioridade uma caraterística» e não apenas projeto

Fátima, 14 set 2018 (Ecclesia) – O Departamento da Escola Católica (DEC), do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), está a promover a ação de formação ‘Educar para a interioridade’ com 30 professores de 22 instituições de ensino, até este sábado, em Fátima.

“Gosto de dizer que educar à interioridade é entrar na revolução da toalha. Quando Jesus, na última ceia, lava os pés aos seus discípulos realiza um gesto revolucionário que chega até hoje”, explica a formadora Elena Andres, em declarações ao portal EDUCRIS, do SNEC.

A especialista em Educação para a Interioridade contextualiza que “tomar a toalha como testemunho” supõe hoje, para os educadores, “aprender novas técnicas, renovar a forma de estar junto dos alunos e das famílias” e é, em grande medida, uma revolução porque “obriga a sair da zona de conforto e leva mais além”.

Elena Andres revela que ao longo dos anos verificou que para formar formadores “é imprescindível que eles vivam uma experiência profunda” que os interrogue, “que abra novos horizontes ou que sirva de certificação para aquilo em que já creem”.

‘Educar para a interioridade’ é o tema da formação promovida pelo Departamento da Escola Católica, do SNEC, que começou no dia 11 de setembro e termina este sábado, na Casa do Amor de Deus, em Fátima.

“Interioridade, mesmo a espiritualidade que nós cristãos centramos como parte integrante do nosso agir educativo, é importante e necessário que todo o espaço da escola católica permita, possibilite esta dimensão da interioridade, da espiritualidade e da espiritualidade cristã”, disse o coordenador do DEC.

“Tem de haver uma reflexão sobre a unidade que existe entre a educação da interioridade e o favorecer de uma inteligência moral e uma vida ética. Tem de estar equilibrada esta reflexão com experiências fundantes para a equipa de docentes, de educadores. Devem poder experimentar as técnicas que depois vão propor aos seus alunos. Ninguém pode dar o que não tem”, desenvolveu Elena Andres.

O professor Fernando Moita afirmou que têm a “preocupação” de dotar as escolas católicas com “ferramentas educativas” para que cada uma “desejando” faça uso dessas ferramentas “para melhor cumprir a sua identidade e para melhor alcançar o projeto educativo”.

“Estas ações desenvolvidas pelo SNEC são uma tentativa de ir ao encontro das necessidades e desejos dos diretores, e de professores de escolas católicas no sentido de terem esta ferramenta”, acrescentou o coordenador do DEC, realçando que querem “tornar a interioridade não apenas mais um projeto mas uma caraterística”.

A especialista em Educação para a Interioridade acrescenta que é necessário ter um momento para “a reflexão teológica”: “Como escola católica em que Deus cremos? Qual o Deus dos Cristãos? E este Deus o que nos diz sobre a Pessoa, sobre a vida, sobre a luta pela libertação”.

A ação de formação conta com a participação de 30 professores de 22 duas instituições de ensino católico de Portugal continental e ilhas.

Para Célia Mendonça é possível existir silêncio e meditação na sala de aula com os alunos, afinal todos têm “interioridade, basta desenvolver para que seja predominante”.

Para a professora de Português e Ciências, no Externato Apresentação de Maria, na Diocese do Funchal, a formação está a ser uma “experiência muito rica”.

“É muito importante trabalhar o nosso interior tanto na relação com o próximo, o colega, como com os alunos, tendo em conta os hábitos, os costumes da atualidade, cada vez, é mais importante relacionar-se com o outro”, acrescentou.

O professor Osvaldo Socorro, do Colégio Nossa Senhora da Paz, na Diocese do Porto, adiantou que este ano letivo vão começar com a Disciplina de Interioridade, para “todos os anos” a partir do 2.º ciclo.

Quanto à formação em Fátima, está a ser “uma experiência” que recorda “algo que muitas vezes é inato” mas acabam “por deixar escondido” com o ritmo, o rigor do dia-a-dia.

CB

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