Padre Querubim da Silva lamentou encerramento do Colégio Salesiano em Poiares da Régua

Aveiro, 22 jun 2018 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) mostrou-se preocupado com encerramento de estabelecimentos de ensino e defendeu que os contratos de associação devem ter em conta “o contexto social, económico”, evitando o “estrangulamento de serviços”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre Querubim da Silva referiu-se ao caso concreto ao Colégio Salesiano de S. João Bosco, em Poiares da Régua, que vai encerrar no final deste ano letivo.

O estabelecimento de ensino funcionava em regime de contrato de associação e o encerramento vai afetar 225 alunos, 25 funcionários e 21 professores.

“Quando se fala em interioridade como é que se tomam medidas destas de asfixiar uma escola que era um polo de desenvolvimento e vida numa terra do interior?”, questiona o sacerdote, que realça “as ótimas instalações, as infraestruturas físicas” da escola católica.

Para o presidente da APEC “há coisas que não se entendem”, criticando medidas de “estrangulamento de iniciativas de serviços prestados à comunidade durante anos”.

O Ministério da Educação informou na última semana que vão ser mais de 600 as turmas com contrato de associação em 2018-2019 e que foi aprovado na última reunião do Conselho de Ministros, um financiamento de 15 milhões de euros para inícios de ciclo – 5.º, 7.º e 10.º anos.

“Os 15 milhões parecem números astronómicos, mas não se diz, e nunca se tem coragem de dizer, qual é a diferença de custo aluno numa escola estatal e numa escola de iniciativa particular ou cooperativa”, afirma o padre Querubim da Silva.

Segundo o presidente da APEC, “há notícias falsas todos os dias” e dá como exemplo a informação que “75% dos bons alunos” que entraram nas universidades eram da escola estatal, sem referir a “percentagem em relação à escola privada”.

“Se tenho 10 mil alunos na escola estatal e 200 na privada e entram 300 da estatal com boas notas e 50 da escola privada é muito maior a percentagem da escola privada”, salientou.

Para o padre Querubim da Silva a “perspetiva é de asfixia progressiva”, e para além do colégio de Poiares da Régua “há a eventualidade de fecharem outros” estabelecimentos.

O entrevistado lembrou também o Instituto de Promoção Social de Bustos (Colégio Frei Gil), em Oliveira do Bairro, escola católica com contrato de associação que fechou em 2017.

“O Governo faz pura e simplesmente o que lhe apetece com os dinheiros, impostos dos contribuintes”, comenta, observando que o financiamento do Estado por turma “não paga os custos de um funcionalismo de carreira média”, “não paga os salários dos funcionários, e as despesas de funcionamento”.

“O que está aqui em causa é uma intenção ideológica contra a realidade dos factos”, acrescenta.

No próximo ano letivo, a Associação Portuguesa de Escolas Católicas vai “continuar a tentar desenvolver contactos” com entidades publicas, partidos políticos, mesmo a nível internacional, com organizações que “defendem a liberdade de escolha”, para “dar o apoio possível aos associados fomentando sobretudo economia de escala em determinados aspetos, que permita poupanças”.

Outra aposta é a formação de diretores, docentes, funcionários e alunos para que “invistam na preservação e consolidação” da matriz do projeto educativo de inspiração cristã.

O padre Querubim da Silva adiantou ainda que a APEC vai procurar também chegar com dados reais e denúncias “à opinião pública que está intoxicada”.

CB/OC

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