Paulo Rocha, Agência ECCLESIA

Esta quarta-feira recebemos uma mensagem lá em casa que dizia: “Vamos agora preparar as coisas para o jantar, se conseguir já ligo! 🙂 correu tudo bem hoje, está a ser uma experiência incrível”.

Era o segundo dia de uma missão, numa região do Alentejo, de um grupo de Lisboa. “Migrão” é o nome do projeto que leva uma dúzia de jovens a Santiago do Cacém para uma experiência que, pelo que se vê, “está a ser incrível”.

A mensagem chegou ao meu telemóvel porque foi enviada pela minha filha. Não lhe pedi licença para a divulgar; mas fi-lo porque traduz as marcas que um projeto destes deixa na sua vida e sobretudo porque essa não é uma experiência isolada, única, mas a de todas e todos os que decidem tirar uma semana ou umas semanas para uma experiência de missão, de contacto com outras comunidades, de aprendizagem com histórias de vidas frágeis e sobretudo de ajuda a quem lá está e de enriquecimento a quem chega por uns dias.

A relevância de “campos de férias”, “férias missionárias”, “campos de trabalho”, “voluntariado missionário”, acampamentos de jovens, escuteiros e outros, e tantas designações que estes projetos possam ter não acontece por acaso. A possibilidade de relação em novos ambientes oferece potencialidades únicas para despertar virtudes próprias e alheias; a oportunidade de ser útil a outros ou a uma comunidade valoriza os dons de quem parte em missão; e a novidade de um projeto missionário traduz-se não num degrau, mas num lanço de escadas da escalada da construção da personalidade que se conquista passo-a-passo.

Antes de todos estes aspetos, os projetos que diferenciam férias de muitos jovens e adultos resultam da capacidade de doação, da disponibilidade para escutar e aprender com os outros e da integração de todas as dimensões da vida em dias de missão. Também e sobretudo a dimensão espiritual. O que exige planificação, profundidade, fé!

Depois, tudo fica diferente! E não só na vida de muitos rapazes e raparigas; também nas instituições que promovem “férias em ação ao serviço dos outros”, sejam grupos, paróquias, congregações religiosas ou movimentos. Porque a relevância das organizações depende também da capacidade que têm de deixar marcas (positivas) naqueles que por elas passam.

A semana, a quinzena ou o mês de missão que acontece no Verão traduz-se com frequência no ponto alto de um ano inteiro de atividades e, noutros casos, no lançamento de um novo ciclo pastoral ou educativo. É por isso que a educação não consente um tempo de férias. A pausa das atividades letivas ou catequéticas nunca pode ser de retirada, porque é o tempo essencial para o sucesso de 9 ou 10 meses de aulas, sessões, encontros ou lições.

A realização de campos de trabalho ou férias missionárias desafia à desinstalação dos que nelas participam e também das instituições que as podem ou não promover. No fim, todos dizem que foi uma “experiência incrível”. E só com estas aventuras é possível dizer depois, ao longo de um novo ano letivo ou pastoral: “está a ser uma experiência incrível”.

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