Cardeal Wuerl espera que mudança represente fase de «cura», centrada no futuro

Cidade do Vaticano, 12 out 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco aceitou hoje a renúncia do arcebispo de Washington (EUA), cardeal Donald William Wuerl, de 77 anos, sem indicar de momento o nome do seu sucessor, anunciou o Vaticano.

O agora arcebispo emérito espera que a diocese norte-americana possa abrir um novo capítulo centrado na “cura” e na construção do futuro da comunidade católica.

D. Donald William Wuerl foi um dos bispos questionados pelo relatório surgido em agosto sobre a gestão dos casos de abusos sexuais na Pensilvânia (EUA), um caso que motivou uma tomada de posição pública, por parte do Papa.

O cardeal, de 77 anos, tinha pedido a renúncia ao completar 75 anos de idade, a 12 de novembro de 2015, como determina o Direito Canónico; em setembro, tinha anunciado ao clero de Washington que iria encontrar-se com o Papa para que este aceitasse a sua resignação.

Após o anúncio oficial da aceitação da renúncia, o cardeal Wuerl publicou uma carta na qual se mostra “profundamente agradecido” ao Papa, elogiando o seu compromisso “pelo bem-estar da Arquidiocese de Washington”.

“A decisão do Santo Padre de dar uma nova liderança à arquidiocese pode permitir que todos os fiéis, clero, religiosos e leigos, se foquem na cura e no futuro. Permite que esta Igreja local siga em frente”, escreveu.

O responsável pede perdão por “quaisquer erros de julgamento” no passado.

A arquidiocese norte-americana divulga uma carta do Papa Francisco ao cardeal Wuerl, na qual o pontífice assinala que este pedido de renúncia parte dos “dois pilares” que marcaram o seu ministério: “procurar em tudo a maior glória de Deus e procurar o bem do povo”.

O Papa pede ao cardeal  Wuerl para “permanecer como administrador apostólico da arquidiocese” até à nomeação do seu sucessor.

A renúncia acontece pouco depois de o Vaticano ter anunciado uma investigação sobre o caso do ex-cardeal Theodore McCarrick, também arcebispo emérito de Washington.

A 28 de julho, o Papa Francisco suspendeu do exercício público do ministério D. Theodore McCarrick, acusado de abusos sexuais, aceitando a sua renúncia como membro do Colégio Cardinalício.

O Papa tem evitado responder diretamente às acusações do antigo núncio nos EUA, D. Carlo Maria Viganò, sobre uma alegada proteção ao ex-cardeal McCarrick, já desmentida por responsáveis da Santa Sé.

Francisco convocou os presidentes de todas as Conferências Episcopais do mundo para um encontro no Vaticano, de 21 a 24 de fevereiro de 2019, dedicado ao tema da “proteção dos menores”.

OC

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