D. Manuel Clemente disse que as leis devem ser pedagógicas para que a sociedade se «conserve» e se «promova»

Assinatura da declaração inter-religiosa que rejeita a legalização da eutanásia. Foto: Agência ECCLESIA

Lisboa, 16 mai 2018 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa defendeu hoje, no contexto de um debate sobre a legalização da eutanásia, a existência de licenças laborais para que seja possível acompanhar pessoas que estão doentes e “precisam de ajuda e proximidade”.

“Como já há licenças para acompanhar a maternidade e a paternidade também deve haver para acompanhar as pessoas que estão doentes e precisam de ajuda e proximidade”, afirmou D. Manuel Clemente.

Em declarações aos jornalistas à margem da conferência sobre a legalização da eutanásia promovida pelo Grupo de Trabalho Inter-Religioso Religiões/Saúde (GTIR), em Lisboa, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu que o problema principal é o da “proximidade” em relação a quem está doente.

“Quando a vida dói e é particularmente sofrida, pelos próprios, pelos seus familiares, pelos amigos, por todo o sistema hospitalar e de saúde, tem de ser devidamente acompanhada tecnicamente, pelos cuidados paliativos, e com a possibilidade para que as pessoas realmente o possam fazer, o que tem a ver com a disponibilidade física e até laboral”, sublinhou.

“Se nos tornarmos uma sociedade globalmente paliativa, a vida é uma convivência”, disse D. Manuel Clemente.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa, a sociedade “como um todo” tem de “valorizar a vida” e “acompanhá-la sobretudo quando ela está em perigo” e os cuidados paliativos são “um trabalho imenso” porque não são suficientes, “nem em qualidade nem em quantidade”.

D. Manuel Clemente valorizou o debate promovido por diferentes confissões religiosas, que decorreu hoje na Academia das Ciências de Lisboa, concluindo-se com a assinatura de uma declaração comum sobre a eutanásia.

O cardeal-patriarca espera que o debate parlamentar sobre legalização da eutanásia tenha em conta as posições contrárias às propostas apresentadas, não só da Igreja Católica, mas de outras confissões religiosas, e sobretudo dos sucessivos bastonários da Ordem dos Médicos, expressa num comunicado com “muita força e representação”, assim como o parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

D. Manuel Clemente disse também que a questão da vida é um “debate continuado” e exige uma atenção “não apenas teórica”, mas sobretudo prática.

“As leis são normas gerais que têm um sentido pedagógico para que a sociedade não só se conserve mas se promova no sentido do bem e da justiça”, sublinhou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

OC/PR

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