Em tempo de férias as famílias têm mais tempo para estar juntas e esses momentos devem ser celebrados

Lisboa, 27 ago 2018 (Ecclesia) – A psicóloga Cristina Sá Carvalho afirmou, em declarações à Agência ECCLESIA, que as férias devem ser bem preparadas com a “finalidade de recompor as relações” e serem um “bom tempo educativo”.

“A finalidade das férias é para recompor as relações que durante o ano são depauperadas e depois são um bom tempo educativo, como ganhos, aquisições, saltos de crescimento das crianças.

Há mesmo mudanças que devem ser introduzidas no ritmo familiar em tempo de férias, por exemplo é mais fácil alterar a alimentação de um bebé ou tirar uma fralda nas férias do que na correria do dia a dia e, além disso, são momentos importantes, para a criança e para a família, que devem ser celebrados com muitas fotografias, brincadeiras, palmas e risos”, defende Cristina Sá Carvalho.

Segundo a psicóloga as famílias têm pouco tempo para estar juntas durante o ano, com tempo de qualidade, e as férias devem servir para o “reencontro entre pais e filhos”, e até a família mais alargada.

“Mesmo que não haja possibilidades de ir passar férias para lado nenhum, por razões económicas ou outras, ficar em casa pode suscitar o lado mais criativo para encontrar soluções divertidas”, explica a psicóloga ligada ao Secretariado Nacional da Educação Cristã.

O relógio, definido como  instrumento de relação com as outras pessoas, segundo a psicóloga deve ser deixado em casa e perder as horas para a família estar junta.

“Um horário cumprido põe-nos a par com o mundo mas, em tempo de férias, pode ser uma boa decisão deixar os relógios desligados e não haver ‘aparelhos’ entre os membros da família. Não se pode perder o ritmo dentro dos padrões de levantar, deitar e das refeições, mas tem de haver um equilíbrio e esses instrumentos servirem para melhorar a nossa vida e não para a consumir”, aponta.

Depois de falar sobre as férias em família, Cristina Sá Carvalho aponta ainda outra questão que não deve esquecida que é o “reencontro do próprio casal”, terem tempo para estar juntos.

“A vida de um casal é um desafio de todos os dias, não pode ser superficial nem ‘light’… E nas férias vai haver tempo para estarem à frente um do outro. Tem de se ser umas formigas do amor na primavera e no verão para depois ser cigarras das alegria de viver nos meses frios do trabalho”, explica.

Outro dos aspetos que as férias podem trazer é a desintoxicação dos “maus hábitos que se adquirem durante o ano”.

“O que se comeu e bebeu mal, os tempos inúteis que não serviram nem ajudaram em nada e que em férias podem ser repensados”.

Cristina Sá Carvalho defende mesmo que primeiro se deve desacelerar antes das férias, depois este tempo de paragem do trabalho deve ser “preparado com todo o empenho”, à semelhança de como a geração mais nova, os ‘millennials’, “pensa e prepara onde quer ir”.

“Deixo uma dica de organização que uso sempre, e também para as minhas férias, que são os cadernos; tomar nota de desejos e planos e na contracapa, por exemplo, escrever as coisas que nos preocupam e aborrecem. Pode ser um bom exercício porque quando escrevemos tomamos conta das coisas e não são as coisas que tomam conta de nós”, conclui.

Ao longo desta semana, a psicóloga Cristina Sá Carvalho conversa a Ecclesia sobre os diferentes ritmos a ter em tempo de férias e do regresso ao trabalho e à escola após o tempo de descanso, a partir das 22h45, na Antena 1 da rádio pública.

SN

Partilhar:
Share