Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família concretiza metodologia do «discernimento» proposta pelo Papa Francisco para as várias realidades familiares

Braga, 17 jan 2018 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga anunciou hoje a criação do Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família com objetivo de “disponibilizar um acompanhamento integral e multidisciplinar” às famílias, nomeadamente aos “divorciados recasados”, através de um “Centro de Escuta”.

O projeto, apresentado em conferência de imprensa, está enquadrado no plano da Arquidiocese de Braga para a família e é uma concretização do “ministério do discernimento” proposto pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Laetitia” sobre a família.

Para o arcebispo de Braga, a Igreja tem de assumir como “tarefa urgente” “preparar os noivos para o matrimónio, acompanhar os casais nos primeiros anos de vida conjugal e discernir para ajudar a integrar as famílias mais frágeis”, incluindo a possibilidade de processos de “discernimento para as pessoas que vivem nas chamadas situações ‘irregulares’”.

“A primeira ajuda a oferecer aos fiéis divorciados que vivem em nova união é o disponibilizar de um serviço de informação e aconselhamento para averiguar a existência de algum fundamento que possa introduzir a causa de declaração de nulidade do matrimónio no Tribunal Eclesiástico”, adiantou D. Jorge Ortiga.

“Aos que não podem obter a declaração de nulidade mas querem viver a fé cristã numa boa relação com Deus e com a Igreja, é proposto um ‘itinerário de responsável discernimento pessoal e pastoral’, com o objetivo de uma maior integração (acompanhar, discernir e integrar a fragilidade)”, acrescentou.

O acompanhamento das famílias vai acontecer num “centro de escuta personalizado” que resulta de uma “estratégia pluridimensional e interdisciplinar onde participam profissionais especializados e diversas instituições de âmbito arquidiocesano que já operam com as famílias”.

Para este serviço, na Arquidiocese de Braga, colabora uma “equipa estável”, constituída por uma jurista em Direito Canónico e Civil, um psicólogo, um psiquiatra, ma médica de Medicina Geral e Familiar e três sacerdotes jesuítas para o “acompanhamento personalizado tendo em vista o discernimento”, e várias instituições do âmbito familiar.

“Após diversas etapas e um percurso de alguns meses, caberá, em última instância, ao casal tomar a sua decisão diante de Deus”, indica o arcebispo de Braga.

D. Jorge Ortiga acrescentou que “não se trata de conceder uma ‘autorização’ geral para aceder aos sacramentos”, admitindo que, após o discernimento, “é possível” que culmine no acesso à reconciliação e à comunhão ou “orientar-se para outras formas de maior integração na vida da Igreja.

“No final do discernimento, os membros do casal poderão ser considerados idóneos para serem padrinhos ou madrinhas”, acrescentou.

“Resumindo, neste ministério do discernimento, deve evitar-se cair em dois extremos: o rigorismo e o laxismo”, concluiu D. Jorge Ortiga.

Em declarações aos jornalistas, após a apresentação do Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família, D. Jorge Ortiga disse que “todo os bispos estão sensíveis a este problema”, que analisam em ordem a “uma resposta”.

Admitindo a possibilidade de  “uma resposta a nível nacional, de todos”, o arcebispo de Braga referiu que cada bispo na sua diocese está a orientar este serviço “como melhor entender”.

PR

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