Bispo de Leiria-Fátima deixa alerta contra a corrupção na política, no desporto e na própria Igreja

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 12 out 2018 (Ecclesia) – O cardeal português D. António Marto manifestou hoje em Fátima, em nome do Santuário e em nome pessoal, “comunhão e solidariedade” com o Papa Francisco, num “momento difícil” da vida da Igreja Católica.

O responsável pela Diocese de Leiria-Fátima falava aos jornalistas, na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação do 13 de outubro, denunciando um “ataque ignóbil” organizado contra a pessoa do Papa.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa manifestou depois o seu apoio a “todos aqueles que, sem medo, nem condescendência, lutam contra a corrupção, que é uma espécie de cancro que vai estendendo as suas ramificações por toda a sociedade”, na política e nos negócios, “contra a batota e a violência” no desporto e contra a “hipocrisia e a indiferença” na própria Igreja Católica.

O Papa pediu aos católicos que, durante o mês de outubro, rezem o terço todos os dias, com uma intercessão a São Miguel Arcanjo, para que defenda a Igreja “dos ataques do diabo, que quer dividir a Igreja”.

Francisco tem evitado responder diretamente às acusações do antigo núncio nos EUA, D. Carlo Maria Viganò, sobre uma alegada proteção ao ex-cardeal McCarrick, já desmentida por responsáveis da Santa Sé.

A 28 de julho, o Papa suspendeu do exercício público do ministério D. Theodore McCarrick, acusado de abusos sexuais, aceitando a sua renúncia como membro do Colégio Cardinalício.

O cardeal António Marto disse que todo este caso “não passa de uma montagem política, sem fundamento real”, citando a este respeito as recentes declarações do cardeal Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos.

Segundo o bispo de Leiria-Fátima, estas acusações “ferem a unidade da Igreja”.

“Esperamos bem, espero bem que não leve a um novo cisma”, desejou.

Para o cardeal português, historicamente todas as reformas na Igreja Católica têm encontrado “oposição”; o que é novo é a “mediatização” dessa discordância, sobretudo por grupos “muito aguerridos” nas redes sociais, com apoios económicos e “motivação política”, contra a “pregação social” do Papa no que diz respeito à pobreza, às migrações e ao aumento das desigualdades.

D. António Marto deu eco das preocupações manifestadas durante o Sínodo dos Bispos, a decorrer no Vaticano, com os “populismos e totalitarismos camuflados para controlar o poder”, que podem ter um reflexo no tecido social, “comprometendo o futuro das novas gerações”.

O responsável deixou uma crítica a “quem só procura o bem-estar do próprio povo”, sustentado que a resposta passa por uma “pedagogia do amor do próximo”.

OC

Partilhar:
Share